O dia em que o mercado cedeu

Com o mercado viciado em morfina monetária, qualquer indício sobre uma redução de estímulos provoca uma ressaca de proporções alarmantes. As bolsas asiáticas sofreram um banho de sangue, com o Nikkei a derreter 2,5% – a maior queda diária dos últimos 15 meses.

Maior Menor
Por 5 de Fevereiro de 2018

.: Passe de mágica
.: Vida de ressacado
.: O problema da escalada das yields
.: Traduzindo em números
.: Ajustado à inflação

00:12 - Passe de mágica

As yields no mercado obrigacionista continuam em alta e, num passe de mágica, atingiram o nível mais alto dos últimos três anos.

O que vem comprovar que em ambiente de bolsa, os movimentos são sempre mais vigorosos do que o sugerido pelo senso comum.

Neste momento, os investidores enfrentam um dilema.

Por um lado, o crescimento mundial sincronizado está de volta.

Por outro, essa mesma retoma económica pode obrigar os principais bancos centrais do mundo a apertarem a política monetária mais cedo do que se pensava anteriormente.

01:22 - Vida de ressacado

Com o mercado viciado em morfina monetária, qualquer indício sobre uma redução de estímulos provoca uma ressaca de proporções alarmantes.

As bolsas asiáticas sofreram um banho de sangue, com o Nikkei a derreter 2,5% – a maior queda diária dos últimos 15 meses.

Por aqui, o cenário também não é animador e as principais praças da região seguem a negociar no vermelho.

Em Wall Street, os futuros apontam para uma abertura em baixa, sinal de que o pior sell-off desde o início de janeiro de 2016 pode não ficar por aqui.


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02:03 - O problema da escalada das yields

O que é que isto significa?

Como já discutimos anteriormente, qualquer que seja a razão – e uma economia global mais robusta é uma coisa boa – a escalada das yields é uma situação “problemática”.

Durante vários anos, argumentámos que os efeitos da política monetária não tinham causado um grande impacto na economia “real”.

Com efeito, os grandes beneficiados durante este período, foram os ativos financeiros que atingiram all-time highs.

No entanto, a situação parece estar a mudar…


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03:10 - Traduzindo em números

Aqui está um resumo muito simples do problema:

Suponha que o seu depósito a prazo lhe paga 0% de juros. Agora diga-me: quanto é que um portfólio de ações precisaria render-lhe para o persuadir?

E quanto a uma carteira de títulos do tesouro? E que renda é que exigiria do seu imóvel?

Tem um número na cabeça? (Não há uma resposta correta).

Agora imagine que o seu banco aumenta o juro dos DPs para 5%. Neste caso, o retorno nestes outros ativos mais arriscados precisa ser maior ou menor para tentá-lo a investir?

Há uma resposta correta a esta pergunta e é, claro, precisa ser maior. Bem maior…

04:09 - Ajustado à inflação

Sendo assim, existem duas formas para o mercado ajustar.

Ou o preço dos ativos financeiros, simplesmente, cai pela metade – ninguém gostaria deste desfecho…

Ou – este é caminho menos revoltoso – o preço dos ativos permanece estático, mas o retorno duplica…

Claro que para isso acontecer, a inflação terá de disparar para níveis que não vemos há vários anos.

Suspeito inclusive que este é o objetivo final das autoridades monetárias.

A queda dos preços dos ativos provocaria um rombo no balanço dos bancos e assustaria os investidores, o que naturalmente teria um impacto negativo na economia.

Muito melhor (pelo menos, por enquanto) será deixar a inflação subir rapidamente e diminuir o preço dos ativos em termos “reais”, mas não em valores nominais.


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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.