O fundo tem uma cave

Nós achamos que o momento já precifica uma maior queda do crude, mas é difícil precisar o que vai acontecer no curto prazo. À medida que a oferta ajustar (produtores marginais abandonam o mercado), o preço tenderá a subir, a questão é que o flow de notícias tem indicado exatamente o contrário – mais produção.

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Por 29 de Dezembro de 2015

.: Palavras do sábio
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00:03 - Palavras do sábio

Warren Buffett é gentil o suficiente para, ocasionalmente, dar a conhecer aos investidores as suas perspetivas sobre uma ampla gama de assuntos.

Convenhamos que seguir o conselho da terceira pessoa mais rica do planeta não é uma má ideia – é como ter uma aula particular com o Ronaldo na arte do remate ou dicas de basketball do Michael Jordan.

Posto isto, fui pesquisar o que o oráculo opinou, recentemente, sobre commodities:

“O problema com as matérias-primas é que estás a apostar no que alguém te vai pagar por elas daqui a seis meses. As commodities sozinhas não fazem nada por si… é um jogo completamente diferente comprar uma quantidade de alguma coisa e ter a esperança que daqui a dois anos alguém te pague mais do que aquilo que tu pagaste por ela…”.

Eu concordo em grande parte com que o Buffett diz, mas quando ele afirma que as mercadorias não fazem nada por si, as nossas opiniões divergem.

Muitas commodities, exceto o ouro, têm várias aplicações na nossa vida.

buffett

01:02 - Funcionalidades

No caso do petróleo, as utilizações são variadas.

Por exemplo, 76% do consumo da matéria-prima em 2015 nos EUA foi utilizada em combustíveis, e os restantes 24% são usados na produção de asfalto, químicos, plásticos e materiais sintéticos.

Ora bem, se a matéria tem utilidade não se trata exclusivamente de especulação.

Há quem compre a matéria para a transformar em produtos que os consumidores procuram.

No entanto, existem outros no meio (como nós, se é dono de uma refinaria não está incluído neste grupo) que tentam aproveitar os movimentos da cotação da matéria para fazer dinheiro sem produzir nada – os malfadados especuladores.

Para estes, o que interessa é perceber como é que as variáveis do preço funcionam.

02:33 - Adam Smith

Interessa compreender a mão invisível.

Essa extremidade definidora de preços move-se de acordo com a demanda (consumidores) e a oferta (produtores).

A procura está dividida em dois blocos:

-Países desenvolvidos:

Onde a procura é mais ou menos estável, mas com tendência a diminuir à medida que a taxa de penetração dos automóveis não pode aumentar, e os governos apertam a regulamentação em prol de veículos mais eficientes.

– Países emergentes:

Nos próximos 5 anos, praticamente metade do crescimento da procura virá da China e esta tendência deverá continuar até 2040.

Para ter uma ideia, neste momento existem 154 milhões de carros privados no Reino do Meio, o que compara com 240 milhões nos EUA.

A China tem 1.3 mil milhões de habitantes, enquanto os EUA têm aproximadamente 320 milhões, ou seja, existe 1,5 carros por casal americano. Imagine o mesmo cenário agora no Oriente…

Psst… e ainda falta a India acordar…

03:25 - Oferta

Claro que esse aumento na procura será feito de forma gradual, porque existe um movimento contrário dos dois blocos.

Do lado dos produtores a história é diferente.

A produção está em níveis historicamente altos por duas razões.

Primeiro, os americanos descobriram que o Dakota do Norte além de produzir rednecks, também escondia no subsolo uma quantidade gigantesca de petróleo em forma de óleo de xisto.

Segundo, os outros produtores de petróleo, encabeçados pela Arábia Saudita, para não perderem quota de mercado aumentaram a produção.

O objetivo é expurgar do mercado aqueles produtores que não aguentam o preço a estes níveis.

O problema é que os gastos de fechar uma exploração e voltar a reabri-la são, em alguns casos, mais altos que o prejuízo de vender abaixo do preço de custo.

É por isso, que apesar da retração da cotação, a produção ainda não ajustou.

Resultado: a cotação do crude que estava acima $100 caiu para $37 em poucos meses.

Crude

04:09 - E agora?

Temos recebido várias perguntas de alguns investidores que acompanham de perto a cotação da commodity.

Amanhã ninguém sabe o que vai acontecer. Quem disser que sabe, já lhe está a fazer um favor. Pelo menos inteira-se que ele é mentiroso e será um bom principio ignorá-lo.

Nós achamos que o momento já precifica uma maior queda do crude, mas é difícil precisar o que vai acontecer no curto prazo.

À medida que a oferta ajustar (produtores marginais abandonam o mercado), o preço tenderá a subir, a questão é que o flow de notícias tem indicado exatamente o contrário – mais produção.

Tendo em conta os riscos no curto-prazo, mas tentando ao mesmo tempo capturar a oportunidade que existe no movimento subjacente ao crescimento das economias emergentes, o que fazer?

 

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.