O meu difícil 2016

O que significa a saída do Reino Unido da União Europeia? A libra tem sido utilizada como indicador do sentimento. Há medida que aumentam as probabilidades de Brexit, a moeda britânica cai. O contrário também é verdade… ou seja, quando as sondagens mostram o inverso, a moeda sobe.

Maior Menor
Por 24 de Fevereiro de 2016

.: Libra especulativa
.: Apanhado do ano
.: Se eu soubesse
.: Choices
.: Corporate world

00:12 - Libra especulativa

O que significa a saída do Reino Unido da União Europeia?

Qualquer evento desta magnitude é, pela sua natureza disruptiva, uma caixa de pandora.

No entanto, a opinião consensual é que seria devastador para a economia das ilhas britânicas.

Nesse sentido, os traders já começaram a especular nessa possibilidade:

A libra tem sido utilizada como indicador do sentimento.

Há medida que aumentam as probabilidades de Brexit, a moeda britânica cai.

O contrário também é verdade… ou seja, quando as sondagens mostram o inverso, a moeda sobe.

O câmbio GBP/USD está em mínimos de Março 2009 e os economistas acreditam que pode ir abaixo de $1,30 ou até $1,20 caso se confirme o cenário de saída.

gbpusd

01:32 - Apanhado do ano

Hoje quero fazer um pequeno resumo do que aconteceu nos mercados neste início de ano.

Escolhi o DAX para a análise, porque quem andou nisto dos mercados, sabe que o índice da maior economia europeia é o que define a tendência na Europa.

Da mesma forma, que a diferença de juros pagos pela Alemanha e outro emitente nos diz qual o prémio de risco de uma obrigação.

De forma a fazer um ponto de situação, vamos ver o que aconteceu ao índice este ano:

– O mês de Janeiro foi aterrador com quedas generalizadas motivadas pelo hard landing chinês.

– Quando os asiáticos deixaram de fazer manchetes, foi a vez dos bancos europeus.

– DAX faz o mínimo do ano no dia 11 de Fevereiro (8752 pts).

– Na antecipação ao anúncio de mais estímulos o mercado inicia uma recuperação.

– No dia 15 de fevereiro, Super-Mario garante: “o BCE está pronto para fazer a sua parte”. Exatamente o que o mercado queria ouvir…

– Sustentado pela perspetiva de mais estímulos e pela estabilização do preço do petróleo perto dos $30, os mercados continuam a subir.

No entanto, começaram a perder força na segunda-feira…

E agora?

dax1

02:05 - Se eu soubesse

Essa é a pergunta milionária, certo?

Se eu conseguisse adivinhar movimentos de curto-prazo não estaria aqui.

O que lhe posso garantir é que também ninguém consegue.

Uma coisa é certa: os traders estão todos com os olhos postos na próxima reunião do concelho governativo do Banco Central Europeu (save the date: dia 10 de Março).

Super-Mario (e companhia) tem duas semanas para decidir como aumentar os estímulos sem desiludir os investidores e os seus colegas.

03:21 - Choices

O que é que está em cima da mesa?

1 – Um corte na taxa de depósito já é um dado adquirido. Depositar no banco central vai ficar mais caro: dos atuais -0,3% deve baixar para os -0,4%.

Como esta medida prejudica a rendibilidade dos bancos, o BCE está a ponderar na introdução de interest rates por camadas.

O objetivo é que quem tem mais dinheiro parqueado pague mais do que quem tem menos.

No fundo, se o Banco Y guarda demasiado dinheiro dos seus depositantes no BCE, não está a emprestar a economia e por isso devia ser castigado…

2 – Aumentar o QE. Como?

Aumentar o montante, estender a data, alargar o numero de ativos elegíveis para o programa de compras… enfim…

Tudo pela inflação (está em 0,4% e quer-se a 2%).

04:02 - Corporate world

No mundo da falta de crescimento as empresas fundem-se para criar valor.

Na prática, as sinergias só vêm de um lado: redução de custos.

Num exercício simplista: imagine que tem 2 tipos que atendem telefones na empresa A, e 2 que atendem na companhia B.

Se consolidássemos as duas empresas, já só precisaríamos de 3 telefonistas.

Alcançando uma poupança de 25% neste departamento.

Se aplicar isto a todos os departamentos… percebe o objetivo das empresas.

É nesse sentido que a LSE e a Deutsche Bourse anunciaram a fusão. Na mesma lógica do que está a ser feito no Brasil entre a BMF e a Cetip e que já foi feito entre a Euronext e a NYSE.

Não é de estranhar que a BME (Bolsa espanhola), tenha reagido em alta a notícia de fusão. Das poucas do setor que ainda se mantem isolada.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.