O momento do euro/dólar (parte 2)

Antes da abertura das bolsas americanas já saberemos os dados de emprego da maior economia do mundo (…). Um dado péssimo poderá dar ainda mais força ao euro.

Maior Menor
Por 4 de Agosto de 2017

.: O trailer também tem informação relevante
.: Dados viciados
.: Sinais de fumo
.: Never too much
.: Dívida para que te quero

00:09 - O trailer também tem informação relevante

Antes da abertura das bolsas americanas já saberemos os dados de emprego da maior economia do mundo. O consenso de mercado estima que 178 mil novos postos de trabalho foram criados no último mês.

Este número assume especial importância à medida que os investidores procuram pistas sobre a força da economia norte-americana e a trajetória da sua política monetária.

A propósito: um dado péssimo poderá dar ainda mais força ao euro.

01:22 - Dados viciados

Como gosta de dizer um colega de mercado com quem trabalhei, “de onde menos se espera é que não vem nada mesmo”.

Depois de muito alarido, o mercado terá de contentar-se com duas subidas do juro básico (ainda falta uma até ao final do ano).

Relembro que Yellen prometeu três subidas em 2017.

A este quadro junta-se uma inflação moderada e bastante atrasada.

Sendo assim, este conjunto de dados do trabalho, mesmo que acima das estimativas, não deverá alterar a pauta da Fed.

Se abaixo, poderá colocar a próxima elevação do juro em xeque.

02:03 - Sinais de fumo

Uma eventual sinalização de elevação mais lenta do que o esperado do outro lado do Atlântico (convenhamos que os últimos indicadores económicos divulgados dão certa margem para isso) podem alimentar ainda mais o euro.

Num cenário de recuperação europeia, pode, sim, existir migração de recursos para este lado do Atlântico.

Contudo, os dados da inflação no velho continente também não dão muita força à tese de um aperto monetário.

Por ora, o mercado especula a covardia da Fed comprando euros. Quando perceber que Draghi também se encontra numa posição frágil, suspeito que o rally do euro irá terminar em lágrimas.

03:15 - Never too much

O reflexo da alta do euro face ao dólar nos mercados acionistas tem sido contrastante.

No último mês, as empresas exportadoras do Dow 30 (em dólares) – que beneficiam com a fraqueza do greenback – levaram o índice a uma alta de 3%.

Em igual período, as exportadoras germânicas levaram o DAX a despencar 2% (em euros).

Situação que pode ser exagerada, mas o mercado é feito disso mesmo: exageros.

Excelente momento para apostar na disparidade das bolsas.

04:01 - Dívida para que te quero

Entre novos impostos e cativações, o Governo lá vai cumprindo as metas do défice.

A UTAO analisou as cativações desde 2009 e o atual ministro das finanças surge como o recordista.

Em si mesma seria uma boa notícia, se a poupança não tivesse sido usada para agradar aos interesses instalados que sustentam a geringonça.

Em resultado, uma má notícia ainda por confirmar: “a dívida pública portuguesa voltou a crescer em junho, aumentando 1.800 milhões de euros para 249,1 mil milhões de euros, um novo máximo”.

Se confirmado (e o tempo dirá), a evolução do passivo do Estado continuará a ser uma das nossas maiores preocupações.

Desagrada-me pensar que o problema, apesar de esquecido momentaneamente, irá assombrar-nos num futuro próximo.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.