O momento perfeito para pensar sobre a sua carteira

Os principais índices mundiais seguem a negociar no zero a zero e os noticiários permanecem, anormalmente, esvaziados.

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Por 20 de Abril de 2018

.: Em modo galão
.: Papel de estimação
.: Investment grade
.: Desapertando o cinto
.: Riscos escondidos

00:12 - Em modo galão

Nos mercados, é mais um dia café com leite.

Os principais índices mundiais seguem a negociar no zero a zero e os noticiários permanecem, anormalmente, esvaziados.

Dúvida: quantos dias irá durar a paz na Casa Branca?

Sem as sacudidelas do POTUS, este final de semana transformou-se no momento ideal para rever a sua carteira e as razões porque carrega determinados títulos no seu portfólio.

 

01:30 - Papel de estimação

Em Portugal, arrisco dizer, a grande maioria dos investidores em ações carrega pelo menos um “papel de estimação”.

Você sabe do que falo: aquela empresa que se tornou em pó e que simplesmente não tem coragem de vender…

Além dos custos de custódia que paga trimestralmente (sim, porque ainda nem procurou uma corretora que não lhe cobra estas comissões), ano sim, ano não a empresa realiza um novo aumento de capital.

Às tantas, já prefere nem fazer contas de quanto lá meteu e de quanto perdeu.

Então pergunto-lhe: por que é que ainda a tem?

 

02:10 - Investment grade

Por aqui, destaque para a dívida nacional.

Será que é esta sexta-feira que Portugal vai conseguir completar a tripleta de ratings?

Depois da Fitch e da Standard & Poor’s terem colocado, no ano passado, a dívida portuguesa acima do grau especulativo, hoje a Moody’s, a única agência que ainda não retirou as obrigações portuguesas do “lixo”, poderá anunciar uma nova subida da classificação.

Historicamente, as agências tendem-se a imitar, por isso, sinceramente acho que esta alta está no papo.

E qual será o impacto?

Além do atestado de competência ao trabalho até aqui desenvolvido, nos mercados não deverá ter um efeito por aí além, até porque as yields já vinham renovando mínimas.

 

03:09 - Desapertando o cinto

Isto significa que já podemos respirar de alívio?

Calma aí…

Ainda somos um dos países mais endividados do mundo (em termos relativos).

Onde só os juros consomem €1,5 de cada dez euros que pagamos em impostos.

Por isso, não. Não estamos fora da zona de perigo.

04:10 - Riscos escondidos

Lembre-se sempre que o rácio de endividamento é uma divisão entre o tamanho da dívida e o produto interno bruto.

Sendo assim, para diminuí-lo existem duas alternativas:

– Reduzir o numerador, ou seja, a dívida – uma medida muito pouco popular num país que adora despesa.

– Ou crescer o denominador a uma taxa superior ao numerador, isto é, fazendo crescer o PIB acima do aumento da dívida.

Qual é o risco?

Que haja uma recessão nos próximos anos (diminuindo o denominador), fazendo o rácio disparar novamente para as nuvens. O que colocaria, novamente, o Tesouro português em grandes dificuldades para financiar-se no mercado internacional.

 

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.