O mundo de pernas para o ar

A maioria dos responsáveis antecipa que a inflação suba nos próximos dois anos e que estabilize em torno de 2%… outros temem que a inflação possa ficar abaixo desse nível por mais tempo do que o estimado.

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Por 17 de agosto de 2017

.: Não sou adivinho
.: Notícia do dia
.: Astrolábio monetário
.: Sem dó nem piedade
.: Dia vermelho

00:12 - Não sou adivinho

Sem propensão para Marques Mendes, ainda preciso de ler jornais.

Ao obedecer a esse péssimo hábito esta manhã, fiquei com a nítida sensação de que há mais Bancos Centrais do que países neste mundo.

A política monetária domina por completo as manchetes.

Tentei não me perder no meio da profusão de notícias.

Mas foi complicado.

01:23 - Notícia do dia

A notícia que define a tendência da sessão, para não variar, chega-nos do banco central mais importante do mundo: as minutas da Fed.

O relatório que a Reserva Federal norte-americana prepara após cada reunião tem sempre o condão de agitar com os mercados…

E desta vez não foi diferente.

02:33 - Astrolábio monetário

Nesse documento, o mercado fica a saber para que lado pende a visão dos governadores.

Como esperado, setembro permanece em jogo para o anúncio do início da redução do balanço, embora nenhum cronograma específico tenha sido mencionado…

Os 4 triliões de dólares de dívida norte-americana estacionados nas prateleiras da Fed vão voltar ao mercado.

Resta saber quando e como.

03:11 - Sem dó nem piedade

O debate sobre a inflação continua inflamado.

A maioria dos responsáveis antecipa que a inflação suba nos próximos dois anos e que estabilize em torno de 2%… outros temem que a inflação possa ficar abaixo desse nível por mais tempo do que o estimado.

Sendo assim, existem dentro do banco central duas visões antagónicas…

Os que defendem que não há pressa em subir taxas e os que alertam que um atraso pode fazer disparar a inflação acima do target.

Esta discussão é importantíssima, uma vez que ritmo da elevação do juro básico americano está subordinado à evolução do índice de preços…

Escrevemos várias vezes que o aumento do custo de capital tende a prejudicar as avaliações bolsistas.

Além disso, também impacta o EUR/USD: quanto maior o juro, maior a atratividade da moeda.

04:03 - Dia vermelho

Hoje, as bolsas reagem negativamente aos comentários da Fed.

Dia vermelho.

É engraçado como a subida das taxas é retratada pelos especialistas como “o bicho papão”, mas ao mesmo tempo, o pessoal da Rua da Parede continua a acreditar na subida dos mercados acionistas.

Isto vai acabar mal. Preparem-se para choro e lágrimas do mercado.

Já falamos aqui algumas vezes sobre a possibilidade de uma correção do outro lado do Atlântico ou de um catch up do velho continente.

Ainda bem que nos acompanha e sabe destas tendências, não é verdade?

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Recomendo também a leitura…

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Pedro Gonçalves, Editor-sénior

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. É actualmente Editor-sénior da Empiricus Portugal.