O novo Big Brother
Os tempos são mesmo curiosos. Existe uma espécie de Big Brother a monitorar todo o caso da Caixa Geral de Depósitos. Os jornais não falam de outra coisa.
.: Os tempos são outros
.: Enquanto isso...
.: O trade do dólar
.: O jogo
.: Eu sei o que fizeste em janeiro passado
00:12 - Os tempos são outros
Os tempos são mesmo curiosos. Existe uma espécie de Big Brother a monitorar todo o caso da Caixa Geral de Depósitos. Os jornais não falam de outra coisa.
Se não tem estado a acompanhar, também não perdeu grande coisa. Em causa estão os salários e a declaração de património da nova administração.
Reza a lenda que foi atribuído um regime de exceção à nova turma. Agora, dá-se o dito por não dito e ninguém assume responsabilidade pela bondade.
Logo, como vem sendo prática habitual, acaba tudo numa troca de acusações.
De um lado, o Governo encolhe os ombros. Os partidos mais à esquerda pedem explicações. E quem menos se ouve são os próprios administradores.
De tal forma é o costume que o povo já nem mostra indignação.
Pois bem, parece que, depois do silêncio, a coisa vai azedar para os lados de São Bento.
É que António Lobo Xavier garantiu à SIC Notícias que o Governo assumiu estes compromissos de exceção com a nova gestão por escrito. Mais uma trapalhada.
No meio de tanto folclore, por que é que ninguém está a fazer a pergunta que devia ser feita: há algum sentido em termos um banco público?
01:09 - Enquanto isso...
Da intriga CGD pulo para o stress das yields.
Enquanto isso, meio país distrai-se com a “inocência” de Pedro Dias e a outra metade inquieta-se com o estado físico da matéria que saiu da boca de Bruno de Carvalho.
Portugal caminha em pezinhos de lã com destino a um novo resgate.
Esta passada lenta muito rapidamente se pode transformar em galope. Para isso, só carecemos de um corte de rating da DBRS.
O que não é assim tão improvável. A agência canadiana avisou que se asyields ultrapassarem os 4%, então teria de revisitar o case português.
Pois bem, as yields a 10 anos atingiram esta manhã os 3,8%.
Nada que não tenhamos avisado, vezes sem conta, aqui no M5M.
02:33 - O trade do dólar
No início deste ano, o mundo (e, provavelmente, a superlua) estavam longos no dólar.
A Federal Reserve tinha acabado de elevar o juro básico e parecia que o único trajeto para as taxas era para cima…
No resto do mundo, o ponto de situação era inverso. A Europa estava (e continua) em desaceleração, o Japão caminhava a passos largos para taxas negativas e o Reino Unido preparava-se para a votação do Brexit.
Dado este panorama, apostar na subida do dólar fazia todo o sentido!
Not so fast… a Fed decidiu trocar as voltas aos investidores.
03:01 - O jogo
Podíamos estar aqui a debitar todas as falhas da Fed. Mas uma coisa é certa. Eles sabem jogar o próprio jogo que inventaram.
É consensual que a valorização do dólar contrai a política monetária ao redor do mundo. O efeito foi sentido no início do ano, quando as bolsas entraram em bear market.
Entretanto, a Fed abandonou as preocupações com a inflação e focou a sua atenção nos mercados e no câmbio.
Janet Yellen recuou na intenção de subir as taxas. Como resultado, o dólar desvalorizou e os mercados respiraram de alívio.
Transcorrido um ano, será que mudou alguma coisa? Isto é, será que a elevação do custo de capital não trará de novo o pânico ao mercado e obrigará novamente a Fed a recuar nas suas intenções?
04:09 - Eu sei o que fizeste em janeiro passado
O dólar americano atingiu o máximo dos últimos 13 anos, medido pelo índice DXY. Este indicador compara o valor do greenback contra uma cesta de moedas dos seus principais parceiros comerciais.

Índice DXY – Fonte: Bloomberg
Até agora, o mercado tem sido protegido por uma espécie de confusão exuberante, com os analistas a olhar para o lado positivo da vitória de Donald Trump.
Mas o ambiente do mercado começa-se a parecer muito com janeiro último.
O grande ponto de interrogação agora é: será que a Fed irá intervir novamente para salvar o mercado?
Enquanto isso, hoje alguns deles cedem alguns dos ganhos destas últimas semanas.
Pedro Gonçalves, Editor-chefe
Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.
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