O novo Big Brother

Os tempos são mesmo curiosos. Existe uma espécie de Big Brother a monitorar todo o caso da Caixa Geral de Depósitos. Os jornais não falam de outra coisa.

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Por 18 de Novembro de 2016

.: Os tempos são outros
.: Enquanto isso...
.: O trade do dólar
.: O jogo
.: Eu sei o que fizeste em janeiro passado

00:12 - Os tempos são outros

Os tempos são mesmo curiosos. Existe uma espécie de Big Brother a monitorar todo o caso da Caixa Geral de Depósitos. Os jornais não falam de outra coisa.

Se não tem estado a acompanhar, também não perdeu grande coisa. Em causa estão os salários e a declaração de património da nova administração.

Reza a lenda que foi atribuído um regime de exceção à nova turma. Agora, dá-se o dito por não dito e ninguém assume responsabilidade pela bondade.

Logo, como vem sendo prática habitual, acaba tudo numa troca de acusações.

De um lado, o Governo encolhe os ombros. Os partidos mais à esquerda pedem explicações. E quem menos se ouve são os próprios administradores.

De tal forma é o costume que o povo já nem mostra indignação.

Pois bem, parece que, depois do silêncio, a coisa vai azedar para os lados de São Bento.

É que António Lobo Xavier garantiu à SIC Notícias que o Governo assumiu estes compromissos de exceção com a nova gestão por escrito. Mais uma trapalhada.

No meio de tanto folclore, por que é que ninguém está a fazer a pergunta que devia ser feita: há algum sentido em termos um banco público?

01:09 - Enquanto isso...

Da intriga CGD pulo para o stress das yields.

Enquanto isso, meio país distrai-se com a “inocência” de Pedro Dias e a outra metade inquieta-se com o estado físico da matéria que saiu da boca de Bruno de Carvalho.

Portugal caminha em pezinhos de lã com destino a um novo resgate.

Esta passada lenta muito rapidamente se pode transformar em galope. Para isso, só carecemos de um corte de rating da DBRS.

O que não é assim tão improvável. A agência canadiana avisou que se asyields ultrapassarem os 4%, então teria de revisitar o case português.

Pois bem, as yields a 10 anos atingiram esta manhã os 3,8%.

Nada que não tenhamos avisado, vezes sem conta, aqui no M5M.

02:33 - O trade do dólar

No início deste ano, o mundo (e, provavelmente, a superlua) estavam longos no dólar.

A Federal Reserve tinha acabado de elevar o juro básico e parecia que o único trajeto para as taxas era para cima…

No resto do mundo, o ponto de situação era inverso. A Europa estava (e continua) em desaceleração, o Japão caminhava a passos largos para taxas negativas e o Reino Unido preparava-se para a votação do Brexit.

Dado este panorama, apostar na subida do dólar fazia todo o sentido!

Not so fast… a Fed decidiu trocar as voltas aos investidores.

03:01 - O jogo

Podíamos estar aqui a debitar todas as falhas da Fed. Mas uma coisa é certa. Eles sabem jogar o próprio jogo que inventaram.

É consensual que a valorização do dólar contrai a política monetária ao redor do mundo. O efeito foi sentido no início do ano, quando as bolsas entraram em bear market.

Entretanto, a Fed abandonou as preocupações com a inflação e focou a sua atenção nos mercados e no câmbio.

Janet Yellen recuou na intenção de subir as taxas. Como resultado, o dólar desvalorizou e os mercados respiraram de alívio.

Transcorrido um ano, será que mudou alguma coisa? Isto é, será que a elevação do custo de capital não trará de novo o pânico ao mercado e obrigará novamente a Fed a recuar nas suas intenções?

04:09 - Eu sei o que fizeste em janeiro passado

O dólar americano atingiu o máximo dos últimos 13 anos, medido pelo índice DXY. Este indicador compara o valor do greenback contra uma cesta de moedas dos seus principais parceiros comerciais.

janeiro-passado

Índice DXY – Fonte: Bloomberg

Até agora, o mercado tem sido protegido por uma espécie de confusão exuberante, com os analistas a olhar para o lado positivo da vitória de Donald Trump.

Mas o ambiente do mercado começa-se a parecer muito com janeiro último.

O grande ponto de interrogação agora é: será que a Fed irá intervir novamente para salvar o mercado?

Enquanto isso, hoje alguns deles cedem alguns dos ganhos destas últimas semanas.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.