O que aprendemos com a derrota do Barcelona

Num mundo dominado pela incerteza, ninguém sabe qual é o cenário que se pode materializar daqui a 5 minutos. Notícias, expetativas, sentimentos… tudo pode mudar enquanto o diabo esfrega o olho.

Maior Menor
Por 11 de Abril de 2018

.: A qualquer momento
.: Acontece a seguir
.: Narrative economics
.: A história da hora
.: Proteção

00:12 - A qualquer momento

Há algum tempo que o mercado tem vindo a lateralizar. Hoje continua assim, pelo menos por enquanto. A qualquer momento pode mudar de ideias.

Na verdade, a única coisa importante na frase anterior é o “a qualquer momento”.

Num mundo dominado pela incerteza, ninguém sabe qual é o cenário que se pode materializar daqui a 5 minutos.

Notícias, expetativas, sentimentos… tudo pode mudar enquanto o diabo esfrega o olho.

Para os amantes do futebol, a eliminação do Barça da Liga dos Campeões é mais um lembrete que os cisnes negros existem e não são assim tão raros.

Reforço a ideia: resultados imprevisíveis acontecem mais do que estimamos a priori.

O corolário óbvio aqui é que deve construir uma carteira preparada para vários resultados. Ou seja, não apostando all in numa única tese de investimento e carregando seguros contra uma mudança no quadro geral.

 

01:30 - Acontece a seguir

Já deve ter reparado que aqui na Empiricus adoramos histórias.

Garanto-lhe, por uma boa razão: os humanos estão programados para detetar padrões. E convenhamos que é praticamente impossível desligar este instinto.

De certa forma, ajudam-nos a prever o que pode acontecer a seguir.

Pois bem, as histórias são simplesmente padrões mais elaborados. Podem dizer-nos como a moralidade funciona. Podem explicar-nos como nos devemos comportar numa determinada situação.

A história certa, na hora certa, pode ensinar-nos lições muito valiosas. Por outro lado, acreditar na história errada na hora errada pode gerar prejuízos avultados – especialmente no mundo dos investimentos.

02:01 - Narrative economics

Robert Shiller, o inventor do famigerado rácio CAPE e professor em Yale, inventou um novo conceito: narrative economics (numa tradução livre: economia narrativa).

Resumidamente, o prémio Nobel está a tentar analisar o impacto das histórias “virais” no tecido económico e de como estas ajudam a exacerbar os movimentos cíclicos de alta e de baixa.

Lembre-se como a narrativa de que a “internet ia mudar o mundo” alimentou a bolha dotcom ou de como a falácia que o “preço das casas nunca cai” ajudou o boom do subprime em 2008.

03:04 - A história da hora

Sendo assim, qual é a história que orienta os mercados hoje em dia?

Neste ponto, Shiller é bastante vago, por isso, terei de lhe dar a minha singela apreciação. Vale o que vale.

Na minha opinião o mercado está naquilo a que podemos chamar de “entre histórias”.

Ou seja, acabámos de assistir à conclusão de uma grande história: “como os bancos centrais salvaram o mundo da deflação”.

Agora estamos à espera de perceber quais serão as consequências destas políticas monetárias pouco ortodoxas…

Por enquanto, o mercado ainda não sabe para que lado deve ir…

Temos quase certeza de que vai envolver inflação de uma forma ou de outra. Mas ainda ninguém está disposto a comprometer-se com uma nova história.

04:10 - Proteção

Isto acontece porque, pese embora, os investidores estejam preocupados com a inflação, ainda não estão convencidos de os outros estejam…

Então ninguém ajusta o seu portfólio…

Ou seja, cada investidor na multidão “sabe” que o imperador está nu. Mas eles não estão totalmente convencidos de que toda a gente sabe disto.

Então não mudam o seu comportamento.

Será interessante ver o que acontece quando o próximo “pânico inflacionário” acontecer. Mas veja se compra alguma proteção antes que isto aconteça.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.