O que podemos aprender com a Grécia

Enquanto andamos (e bem) focados na evolução da nossa dívida (alguns, pelo menos)… Do outro lado da Europa, a Grécia está de regresso aos grandes palcos. E a Europa prepara um Hail Mary.

Maior Menor
Por 13 de Janeiro de 2017

.: No campo com a Grécia
.: Populismo com o dinheiro dos outros
.: O que é mais importante: ver bem ou ser bem visto?
.: Pensamento clássico
.: Todos a bordo

00:10 - No campo com a Grécia

“Perdido por cem, perdido por mil” já teve o condão de produzir reviravoltas míticas no placard. Recordo-me sempre do primeiro jogo do Euro 2000, em que Portugal derrotou Inglaterra depois de estar a perder por 2-0. Aquele golo do Figo ❤️.

no-campo-com-a-grécia

Infelizmente – na maior parte dos jogos – o pontapé para a frente e fé em Deus acaba numa derrota confrangedora.

Curioso como a dimensão futebolística tem lastro na economia e sobretudo na forma de fazer política na zona Euro.

Enquanto andamos (e bem) focados na evolução da nossa dívida (alguns, pelo menos)… Do outro lado da Europa, a Grécia está de regresso aos grandes palcos.

E a Europa prepara um Hail Mary.

 

01:22 - Populismo com o dinheiro dos outros

Não é só por aqui que se discursa num tom elevado. Por lá, também Tsipras prometeu uma verdadeira revolução anti-austeridade.

Porém, a economia falou mais alto. E na esteira do abismo económico, o líder de extrema-esquerda grego vacilou…

Em concordância, a Europa acorreu com um pacote de ajuda.

Nesse ínterim, a supervisão afrouxou… e violando os termos do seu programa de resgate, o Governo grego anunciou recentemente que vai distribuir um “presente” considerável aos pensionistas gregos.

Contudo, esta benesse requer um empréstimo adicional da UE – o orçamento grego não é equilibrado e a Grécia não consegue aceder aos mercados.

Em resposta, os ministros das Finanças da UE decidiram congelar a implementação das ajudas que permitem manter o estado helénico à tona…

A Grécia está à beira de um colapso, novamente.

02:09 - O que é mais importante: ver bem ou ser bem visto?

Por ora, o Eurogrupo volta a reunir-se no próximo dia 26 de janeiro para discutir um novo bail-out à Grécia.

O FMI – cansado desta história – afirmou que só participa se este pacote for o último e tem de incluir um perdão de dívida.

Contudo, a Europa já esta comprometida até ao tutano. Portanto, os responsáveis do Euro vão “avançar de qualquer maneira”.

Apesar de a Grécia ser um sorvedor de dinheiro público, a Europa volta a fazer vista grossa a um Estado ingovernável e aplica a máxima de “perdido por cem, perdido por mil”.

03:05 - Pensamento clássico

O que é que lhe interessa a Grécia? Pouco, de facto.

Os próprios mercados ignoram o tema por completo. Acreditam que, de uma forma ou de outra, a Europa vai entornar mais dinheiro para cima do problema…

No entanto, o remédio aplicado ao Estado helénico poderá, em situação de aperto, ser aplicado a Portugal (apesar de neste momento a situação ser diferente).

Portanto, a forma como a Europa resolve o problema será um proxy para a nossa República.

E se nós estamos a pensar nisso…

Acredite que o mercado já pensou nessa possibilidade. Portanto, uma situação mal resolvida pode colocar novamente pressão nas yields portuguesas…

E nesse ponto, a posição do FMI é axiomática: sem perdão e com paninhos quentes o problema vai perpetuar-se.

Faço os meus votos para que os investidores não nos colem à Grécia…

pensamento-clássico

Mas há quem esteja a fazer por isso…

04:01 - Todos a bordo

O sentimento bolsista enfraqueceu após a parca sapiência contida nos comentários de Trump – que não ofereceu detalhes sobre as suas promessas de aumentar os gastos públicos e reduzir os impostos.

No entanto, o otimismo sobre a economia dos EUA saiu fortalecido depois dos comentários da presidente da Reserva Federal, Janet Yellen, que afirmou que a economia está no bom caminho e não enfrenta obstáculos no curto prazo…

Ora, se Donald desilude, o banco central salva o dia…

todos-a-bordo

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.