O Rally do Pai Natal

Nem a crise política italiana assustou os investidores que receberam de Mario Draghi uma prenda de Natal antecipada. Hoje é a vez do petróleo.

Maior Menor
Por 12 de Dezembro de 2016

.: What fun it is to ride in a one horse open sleigh
.: Oh! Oh! Oh! Reflection Xmas
.: A mexida das yields
.: O ano da Europa
.: Novo Banco, velhos hábitos

00:12 - What fun it is to ride in a one horse open sleigh

Existem momentos em que para o mercado: “qualquer notícia é uma boa notícia”.

Já viu o que se passa?

A bolsa portuguesa fechou a passada semana com o melhor desempenho do ano, com um ganho de 5,6%.

Nem a crise política italiana assustou os investidores que receberam de Mario Draghi uma prenda de Natal antecipada.

Hoje é a vez do petróleo.

A possibilidade de que a Arábia Saudita venha a cortar ainda mais a sua produção, após um acordo dos países exteriores ao cartel, impulsiona o preço do barril para máximos de julho do ano passado.

Mais combustível para a bolsa nacional, com Galp a carregar o PSI20 para terreno positivo.

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01:22 - Oh! Oh! Oh! Reflection Xmas

Num mundo cada vez mais esperançado no regresso da inflação, a alta do petróleo dá uma segunda demão no quadro do reflection trade

Compreensível: com a gasolina mais cara, o aumento dos custos de distribuição será refletido à posteriori no preço dos bens de consumo.

Perante um cenário inflacionista, os investidores largam as suas posições em renda fixa (fazendo os juros subirem) e provocam um banho de sangue nas obrigações soberanas…

Se no caso da Alemanha, essas subidas partem de uma base deprimida e, portanto, a margem é bastante confortável…

No caso português, os juros das OT a 10 anos negoceiam hoje acima dos 3,8%, muito próximos dos alarmantes 4%-4,5%.

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Yield das OT portuguesas a 10 anos – Fonte: Bloomberg

Porém, o mercado acionista segue despreocupado com uma eventual crise nas yields soberanas.

Será que não devia?

02:04 - A mexida das yields

Por ora, o mercado foca-se no lado bom.

A inclinação da curva de rendimentos facilita a vida do setor financeiro.

O negócio dos bancos é aparentemente simples (quando não inventam): financiam-se no curto prazo e emprestam no longo prazo.

Logo, quanto maior for a diferença entre as taxas de juro no curto prazo (até 1 ano) e as taxas de longo prazo (mais de 5 anos), maior será o lucro.

03:01 - O ano da Europa

Contudo como o próprio Draghi admitiu: “há um limite para o que BCE pode fazer”.

Por cada medida adicional de estímulo existe um custo igual ou maior que alguém na economia terá de suportar… (leia-se, bancos, seguradoras ou aforradores).

O desafio é complexo: ou a Europa se junta e promove políticas que estimulam o crescimento, tanto a nível nacional como à escala da UE e assim impede o desmembramento do bloco.

O principal risco é que um dos países centrais dê uma guinada política para um dos extremos e decida sair. Assim, tudo se desmoronaria como um baralho de cartas.

Por outro lado, se os principais países da União votarem ao centro (pró-europeus) então poderemos assistir a um rally de alívio…

A bem ou a mal é o futuro do velho continente o grande tema do mercado de 2017.

04:20 - Novo Banco, velhos hábitos

Por cá, a notícia do dia é a venda do Novo Banco.

A melhor proposta é a dos chineses do Minsheng e o fundo Lone Star surge logo a seguir…

Os primeiros são conhecidos pela sua engenhosidade financeira (a lembrar os antigos donos).

Os segundos são um fundo abutre: chegam, cortam até ao osso e vendem com lucro.

Se nenhum dos candidatos é propriamente o acionista ideal, o que é mais preocupante é o preço da venda (perto de zero).

Dos 3,9 mil milhões do fundo de resolução, pouco ou nada será recuperado através da colocação.

Por um lado, evitam-se novas injeções de capital…

Por outro, à medida que os bancos envolvidos no fundo descartam-se de mais responsabilidades, aumentam os potenciais encargos para os contribuintes.

A fava calha sempre ao mesmo.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.