O regresso dos porquinhos

Quem viveu a infância nos anos 90 há de lembrar-se, com certeza, da história dos três porquinhos. Recordar-se-á também que durante a crise da dívida soberana europeia, Portugal fez parte do malfadado grupo dos PIGS.

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Por 8 de Fevereiro de 2017

.: Ainda se lembra?
.: Deixe-me explicar
.: Moral da história
.: O que fazer
.: Resumo de mercado

00:12 - Ainda se lembra?

Quem viveu a infância nos anos 90 há de lembrar-se, com certeza, da história dos três porquinhos. Refiro-me aos três leitões que fugiram da Mealhada com a sua mãe e certo dia, como se acharam muito crescidos, decidiram ir viver cada um na sua casa.

Os porquinhos procuraram um bom lugar para as suas casas e, assim que o encontraram, cada um começou a construí-la.

O porquinho mais novo, que só pensava em brincar, fez a sua muito rapidamente, usando palha. O porquinho do meio, ansioso por ir brincar com o mais novo, juntou uns paus e depressa construiu uma casa de madeira.

O porquinho mais velho, que era o mais ajuizado, lembrou-se do que a sua mãe lhe tinha dito, e disse:

– Vou construir a minha casa com tijolos. Assim será muito resistente para me proteger do lobo mau.

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01:24 - Deixe-me explicar

Até já estou a imaginar o seu semblante… Por que é que lhe conto esta história? Vamos por partes…

Recorda-se, com certeza, que durante a crise da dívida soberana europeia, Portugal fez parte do malfadado grupo dos PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha).

O acrónimo foi utilizado para designar os membros da União Europeia que eram incapazes de refinanciar a sua dívida pública, nem salvar os bancos sobre-endividados em resultado desse colapso….

Dentro deste grupo de “porquinhos”, uns contruíram uma barraca de madeira outros construíram casas de cimento…

02:05 - Moral da história

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Pois bem, meia dúzia de anos volvidos e que lições aprendemos:

– O irmão mais novo, a Grécia, construiu uma casa de palha e ao mínimo choque externo sucede uma crise.

– Em Portugal, o leitão do meio, apesar de alguns progressos durante o programa de assistência, com a pressa de ir brincar com o mano helénico – reversão das medidas de austeridade – colocou o orçamento numa posição vulnerável…

Assim, com o lobo mau à espreita (leia-se, inflação e perceção de risco) o risco de a casa colapsar é elevado.

– Em Espanha (ou na Irlanda), onde o Governo aproveitou a crise para fazer e manter as indispensáveis reformas estruturais, a situação é muito mais tranquila.

Com efeito, o estado espanhol paga menos de metade que os portugueses no seu financiamento a 10 anos.

03:09 - O que fazer

A literatura financeira e a história sugerem que os ativos de renda fixa (obrigações) têm menor volatilidade do que as ações e que o dinheiro deve ir para lá para encontrar paz de espírito…

No entanto, o mundo vive uma situação incomum, com as taxas de juro dos títulos de maior qualidade perto de mínimos históricos…

As yields a 10 anos dos países “mais seguros” à face da Terra são as seguintes:

– Estados Unidos: 2,40%
– Alemanha: 0,35%
– Austrália: 2,72%
– França: 1,09%
– Japão: 0,09%
– Suíça: -0,09%

Com estes níveis de rentabilidade, a única maneira de encontrar estratégias defensivas com uma rentabilidade razoável é encontrar substitutos para esses títulos, tendo um pouco mais de risco.

Explicamos tudo no Carta Empiricus. Uma das nossas recomendações já sobe mais de 7% no ano.

04:11 - Resumo de mercado

Lá fora, o índice norte-americano Dow Jones mantém-se ligeiramente acima da marca histórica dos 20.000 pontos.

Deste lado do Atlântico, mercados bolsistas sem tendência definida…

No mercado da dívida, as yields dos países da zona Euro continuam a sua escalada, com a diferença entre o juro francês e o alemão (ativo de refúgio) em máximo plurianual, com o aumento da incerteza de que a eleição francesa se transforme numa nova vitória do populismo.

Na Ásia, as bolsas japonesas voltaram a subir, ainda que Trump tenha acusado Tóquio de manipular a sua moeda para estimular as exportações.

 

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.