Os 3 B’s: BCE, BCP e BPI

O objetivo do BCE é muito simples: Custos financeiros mais baixos + capacidade de investimento = melhores resultados.

Maior Menor
Por 2 de Junho de 2016

.: Passa à frente
.: De volta ao que interessa
.: Dívida corporativa
.: Frase do dia
.: O poder do tempo

00:03 - Passa à frente

Observo grande parte do mercado ignorando a reunião mensal do BCE.

Depois do avultado pacote de estímulos apresentado em Março, hoje teremos mais conversa…

Mario Draghi falará na sua habitual conferência das novas previsões macro da equipa do BCE.

E o foco estará na inflação.

Será que a Bazooka está a funcionar?

Ou teremos de reforçar o manancial de armas?

M5M2junho

 

01:22 - De volta ao que interessa

Então voltámos ao dilema clássico da política monetária.

Baixar o custo do dinheiro (juros baixos) gera inflação?

Não é assim tão simples…

Mas alguns fatores devem contribuir para a revisão das expetativas (para cima) por parte do BCE…

Entre elas, a alta do preço do petróleo, a evolução favorável das economias da zona do Euro e a desvalorização da moeda frente ao dólar…

O panorama ainda é bastante complicado… e a visibilidade para 2017 e 2018, ainda continua muito encoberta…

02:33 - Dívida corporativa

Quem deve estar feliz com o BCE são as cotadas que emitem dívida com rating de ótimos pagadores (Investment Grade).

Afinal, é a partir deste mês que arrancam as compras de instrumentos de dívida de empresas…

O mercado já antecipou e grandes empresas europeias já recebem juros ao invés de os pagarem!

Exemplos como Air Liquide, Siemens, Deutsche Bahn…

Aqui na terrinha, empresas como EDP, REN e Brisa são as únicas com esse selo…

O objetivo do BCE é muito simples:

Custos financeiros mais baixos + capacidade de investimento = melhores resultados.

Pelo menos, é isso que os mercados “desejam”.

03:09 - Frase do dia

A frase mais importante do último discurso do Super Mario: “é claro que se também houver reformas estruturais, [as nossas medidas] teriam um efeito mais rápido”.

Pois é, em todo o lado se ouve esta expressão: “reformas estruturais”. Mas o que é que significa?

Parece uma cassete! Exigida pelos líderes europeus e propagandeada pelos nossos políticos. Nada acontece na realidade…

Tal supõe e implica diminuir o Estado, ou seja, diminuir as prestações, nomeadamente sociais, que o Estados tem vindo a assumir.

É dura esta conclusão!

Quando, nas últimas décadas, nos disseram que éramos ricos, que os juros, a nível internacional, estavam a baixar… acreditamos que podíamos gastar acima das nossas possibilidades.

Os resultados estão à vista.

Mesmo depois da crise da dívida, a retórica dos líderes nacionais não mudou e continuamos a preferir ignorar os factos.

03:55 - O poder do tempo

“É só quando a maré desce que se vê quem nada nu”.

As palavras proferidas pelo megainvestidor Warren Buffett carregam um sentido muito prático na avaliação de investimentos…

Durante fases de grande expansão económica, decisões de investimento arriscadas oferecem maior retorno…

Nas recessões, a legitimidade dessas aplicações é posta à prova.

Fruto da procura incessante pelo crescimento, o BCP paga hoje os pecados que cometeu no passado.

Como resultado: o BPI (banco com muito menor quota de mercado) já é mais valioso em bolsa do que o maior banco privado português.

Como lição levamos que a gestão focada no crescimento de curto-prazo provocará graves prejuízos no longo-prazo.

E se durante muito tempo, Fernando Ulrich viveu sob estigma de “velho do restelo da banca”, hoje os investidores dão-lhe razão pela postura mais conservadora na atribuição de crédito…

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.