Os meus heróis são humanos

Fundamento as minhas opiniões em companheiros analistas. Super-heróis que dispensaram o spandex, mas vigiam o mercado na procura incessante por oportunidades ou perigos para o seu património.

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Por 4 de Abril de 2017

.: Heróis da Marvel
.: Precisamos de novos heróis
.: Ir contra a corrente
.: Para testar as suas convicções
.: Dia de bolsa

00:10 - Heróis da Marvel

Eu nunca li banda desenhada até ser adulto. Admito: a coisa escapou-me da mesma forma que a higiene básica escapa a alguns tipos que eu vejo a comprar livros do Spiderman.

Contudo, hoje em dia não é preciso ser um geek para gostar de alguns super-heróis. Basta entrar numa qualquer sala de cinema ou Netflix e pode escolher entre o Superhomem, o Batman, o Iron Man, o Hulk, enfim… até já perdi a conta.

Eu não sei o que o leitor acha, mas até para um tipo que gosta de banda desenhada, a quantidade de filmes dentro do género já se está a tornar um bocado absurda…

A sério, precisamos realmente de um terceiro reboot do Spiderman?

Eu acho que já está na altura de um novo super-herói, não?

01:22 - Precisamos de novos heróis

Como um estudioso das finanças, não existe nada melhor do que combinar o meu gosto nerd por super-heróis e o meu fascínio geek por balanços, folhas de Excel, assimetrias favoráveis e estratégias de alocação de capital.

Imagine que o Stan Lee também gostava do tema (pela fortuna amealhada, não deve detestar…).

Todos os dias procuro passar-lhe a melhor informação possível sobre o mercado. Para isso, fundamento as minhas opiniões em companheiros analistas.

Super-heróis que dispensaram o spandex, mas vigiam o mercado na procura incessante por oportunidades ou perigos para o seu património.

Dentro destes… confesso que costumo dar mais atenção a quem está na contramão.

Gosto de ler análises e falar-lhe de ideias fora de consenso, justamente aquelas despercebidas pelos demais e com as maiores distorções entre preço e valor.

02:09 - Ir contra a corrente

Todo o grande analista tem de ser um contrarian, um camarada que pensa com a própria cabeça e desafia o status quo com intensidade e vigor.

Caso contrário, se segue os investimentos da média, terá retornos também da média. Parece óbvio.

Um analista incapaz de apresentar uma ideia fora do consenso vale zero.

Existe um que tomo especial atenção face aos demais.

Jim Rickards, um guru de economia internacional e ameaças financeiras que previu a crise financeira de 2008, o Brexit, a eleição de Trump, a escalada do ouro, o rally da bolsa russa e os problemas económicos chineses.

O tipo de ideias que não ouve em mais lado nenhum.

Nos últimos anos Rickards tem feito vários alertas acerca do triângulo China, Rússia, EUA e de como essas relações poderão provocar um novo tsunami financeiro.

Os seus relatórios são uma espécie de banda desenhada financeira para adultos.

A sua escrita colorida e com uma narrativa cativante, típica de um ex-consultor da CIA, permite ao cidadão comum tomar conhecimento das mais intrincadas relações da alta finança internacional e de como isso pode impactar o seu bolso.

03:30 - Para testar as suas convicções

As suas teses de investimento são polémicas e podem não se concretizar ao longo da jornada.

Quando se está a lidar com o futuro é impossível ter certezas absolutas. Vejo isso como uma atitude construtiva já que permite ao cidadão “esperar o melhor, mas preparar-se para o pior.”

Ao confrontar a sua tese com a minha gasto mais tempo a estudar aquilo que não entendo para depois confirmar o quão fortes são as minhas convicções.

É por isso com grande entusiasmo que comunicamos a chegada de Jim Rickards a Portugal através da Empiricus.

Não foi fácil. Exigiu um grande esforço da equipa em termos operacionais para disponibilizar os seus relatórios.

Tenho a certeza que vai achar que a espera valeu a pena.

Aproveite a oportunidade conhecer em primeira mão um dos meus super-heróis.

Garanto-lhe que amplificará as suas probabilidades de sucesso se estiver ciente dos riscos escondidos. Não vai ler este tipo de informação noutro lado.

04:02 - Dia de bolsa

Bolsa local no negativo, restituindo parte da euforia dos últimos dias.

Impacta o volume também o noticiário local – que, convenhamos, parece um coro de igreja. Vozes alinhadas e afinadas que repetem ad infinitum a mesma ladainha: “está tudo bem”.

Depois de varrer a sujeira para baixo do tapete na “resolução” do NB., agora o PM garante que “está tudo bem” no Montepio.

Ele que nunca deve ter olhado para as contas do banco.

No resto da Europa, o principal foco de tensão é a reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. Depois das ameaças feitas durante a campanha – mais para redneck ver do que outra coisa – o tom do encontro deve ser amigável.

Isto de ser presidente é outra coisa.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.