Pânico ou correção saudável?

De um momento para outro, o mercado entrou em pânico. Não há propriamente uma razão per se. Pelo menos, uma daquelas justificações clássicas. Nenhum banco estoirou, não começou nenhuma guerra, zero países tentaram abandonar a União Europeia… Então foi o quê?

Maior Menor
Por 6 de Fevereiro de 2018

.: Metropolitano de Lisboa
.: Só acontece aos outros
.: Pior dos últimos anos
.: Razões que a própria razão desconhece
.: Muita calma

00:12 - Metropolitano de Lisboa

Começo de dia complicado aqui em Lisboa. “Existem perturbações na linha azul, o tempo de espera pode ser superior ao estimado.”

Próxima carruagem: 15 minutos.

O que não pára é o relógio do painel, que lhe relembra, com a medida exata do tempo, que vai chegar atrasado.

O stress da situação, combinado com a falta de cafeína, transporta o seu pensamento para questões existenciais: O que é que tenho para fazer hoje? Por que é que ainda confio nos transportes públicos? Ainda vou tempo de escrever o M5M?

(Cada um com os seus).

De repente… PUMBA. Bom dia: deixou cair o seu iPhone e o monitor ficou feito em pedacinhos.


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01:33 - Só acontece aos outros

Foi a cena que presenciei hoje de manhã, a caminho do escritório.

Passado o momento, pensei…

Espero que tenha seguro, se não estão ali 300 euros de arranjo.

De qualquer maneira, concluí: desta vez não foi comigo, mas podia ter sido, não é?

Claro, claro. Estas coisas só acontecem com os outros.

Só com os outros.


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02:10 - Pior dos últimos anos

Meia hora depois, já no escritório, fico a saber que a bolsa norte-americana teve a pior sessão desde 2008 e que, por aqui, os principais índices europeus vão por arrasto…

Eu que não tenho um iPhone, mas tenho uma carteira de ações. Fui, automaticamente, ver as minhas posições.

Como previsto, a coisa está vermelha. Nem um único título positivo. Uns caem mais que outros, mas de maneira geral, está tudo a levar pancada.

Então lembrei-me que, há semanas, comprei umas opções de venda para proteger o meu portfólio.

Relaxei.

03:04 - Razões que a própria razão desconhece

De um momento para outro, o mercado entrou em pânico. Não há propriamente uma razão per se. Pelo menos, uma daquelas justificações clássicas.

Nenhum banco estoirou, não começou nenhuma guerra, zero países tentaram abandonar a União Europeia…

Então foi o quê?

Cada um acredita no que quer. Eu acredito que o mercado estava excessivamente tranquilo e tinha subido depressa demais.

Disse há duas semanas que o grande risco deste mercado era o exagero.

Pois bem, exagerou.

Agora, feita a correção, os especialistas escolhem a narrativa que lhes convém para justificar o sucedido.

Com isso em mente, as atenções voltam-se novamente para as questões corriqueiras de sempre: bancos centrais e o seu impacto nas yields.


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04:01 - Muita calma

Agora nesta fase: não tenha medo e não seja impulsivo.

Seja disciplinado, não importa o ambiente de mercado, e continue economizando e investindo de acordo com seu plano de longo prazo.

A volatilidade que andava adormecida irá testar a sua paciência ao longo do caminho.

A forma de amenizar o impacto na sua carteira é carregando ativos que se movem em sentido contrário: ouro ou opções de venda.

Para quem não esta familiarizado com estas ferramentas, resta ignorar o ruído e focar-se em boas empresas.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.