Para onde vai o euro/dólar

Os dados da inflação em linha com o estimado retiram algum ímpeto ao euro, que tem estado em alvoroço…

Maior Menor
Por 31 de Julho de 2017

.: Para onde vai o euro/dólar
.: O que fazer com este ímpeto
.: O tamanho importa
.: Gasóleo e correios
.: Politicamente correto

00:05 - Para onde vai o euro/dólar

Último dia de julho e as bolsas seguem praticamente no zero a zero.

No noticiário económico, destaque para os dados do desemprego na zona Euro – o nível mais baixo desde 2009 – e da inflação, que se mantém estável nos 1,3% e permanece, assim, distante da meta do BCE.

Com mais de metade da temporada cumprida, vem aí agosto e, portanto, prepare-se para movimentos bruscos na bolsa.

Se a maioria da comunidade de investimentos está a caminho das praias, os poucos que ficam têm menos traders com quem brincar, o que naturalmente pode despertar a volatilidade que tem andado adormecida.

O melhor mesmo é passar os olhos pela aplicação da Bloomberg de vez em quando…

01:33 - O que fazer com este ímpeto

Os dados da inflação em linha com o estimado retiram algum ímpeto ao euro, que tem estado em alvoroço…

Já aqui disse repetidas vezes que a política monetária obedece principalmente à evolução dos preços.

Enquanto se mantiver baixa, o BCE não terá qualquer incentivo para subir taxas.

Por isso, acredito sinceramente que o euro não terá muito mais upside.

02:04 - O tamanho importa

Em relação ao tamanho da economia da zona Euro, os estímulos de Draghi foram muito mais agressivos do que o QE da Fed.

O programa do BCE foi muito mais vigoroso, com taxas de juro negativas, e mais amplo, incluindo obrigações corporativas.

Tais intervenções raramente terminam bem, mas esta está a funcionar melhor do que o esperado.

A economia está a recuperar, pelo menos à superfície, à medida que os vários movimentos populistas e as crises bancárias desaparecem.

O que não quer dizer que não haja riscos…

tapering monetário norte-americano coincidiu com o QE do BCE e do BoJ. Isto garante que a liquidez mundial ainda seja bastante ampla. Eu não vejo a Fed a retornar esse favor quando for a nossa vez de reduzir a morfina monetária.

03:23 - Gasóleo e correios

Depois de um mês forte em resultados, esta semana começa com a Galp a mostrar os números do semestre.

A petrolífera anunciou um aumento de lucros para 250 milhões de euros nos primeiros 6 meses do ano.

Muito em linha com o estimado, por isso não espere grandes loucuras na bolsa.

Depois do fecho será a vez dos CTT apresentarem contas.

O mercado continua a olhar com muitas reticências para a evolução do banco e, por isso, qualquer desapontamento será motivo para descarregar na ação.

No negócio tradicional de correios – o que realmente devia interessar – o seu declínio secular já é um dado adquirido.

Resta perceber a que ritmo.

Não estamos aqui para adivinhar resultados, mas sim para fazer os nossos leitores ganharem dinheiro. Apostamos em empresas menos dependentes de novos negócios e que possuam negócios com receitas mais previsíveis, mais rentáveis e que paguem bons dividendos.

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04:23 - Politicamente correto

Quem também apresentou resultados foi o Montepio.

Depois de ter registado um prejuízo de 67,6 milhões de euros no ano passado, a caixa económica regressou aos lucros no primeiro semestre.

Estes números simpáticos acontecem numa altura em que se espera por uma decisão da Santa Casa da Misericórdia relativamente à entrada no capital do banco.

Já explicamos aqui que os números que os bancos apresentam são… basicamente os que quiserem.

Os reguladores e os auditores puxam de um lado e a gestão puxa do outro…

Desta negociação sai um número que não reflete exatamente o banco naquele momento. Acaba por ser uma decisão política…

No meio de um negócio que promete gerar polémica.

Até os reguladores devem estar a puxar do lado da gestão.

Reitero aqui que existem algumas instituições portuguesas em situação bastante delicada e que podem colocar as suas poupanças em risco. Saiba aqui como se proteger.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.