Pedro no país das maravilhas

Mais um dia, mais uma alta recorde nos EUA. Além da fé desmesurada na Trumponomics, alguns bons relatórios têm ajudado os mercados financeiros.

Maior Menor
Por 24 de Novembro de 2016

.: Another day, another record
.: Só um exemplo
.: Avisos para 2017
.: Minuto do descanso
.: Nem tudo é o que parece

00:09 - Another day, another record

Mais um dia, mais uma alta recorde nos EUA.

Além da fé desmesurada na Trumponomics, alguns bons relatórios têm ajudado os mercados financeiros.

Os gastos do consumidor subiram, o PIB superou as expectativas e as encomendas à indústria, a ovelha negra da família, excederam inclusive as melhores estimativas.

Em resposta, o dólar valoriza-se e as taxas de juros americanas estão a quebrar em alta a tendência da última década.

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Yields das obrigações norte-americanas a 10 anos – Bloomberg

A economia está a recuperar…

E claramente tudo isto implica um regresso à normalidade, certo?

Naaah, pode ser só a “ilusão das eleições”.

Quando a Presidência está em jogo, o partido no poder aumenta os gastos para criar a impressão que o país está nos eixos e os atuais líderes merecem uma nova oportunidade.

Após a eleição, a despesa regressa à normalidade e a quebra nos dados económicos é enterrada no meio de um artigo sobre o capachinho do presidente.

Aguardemos.

01:22 - Só um exemplo

Não é preciso ir muito longe para observar a “esperteza” da classe política…

Em Portugal, está programado um aumento extraordinário das pensões e do subsídio de refeição da função pública na segunda metade de 2017.

Além de um aumento do abono de família para crianças entre os 12 e os 36 meses.

Surpreendentemente ou não, haverá eleições autárquicas no final do próximo ano.

Nota: não dê grande importância aos dados económicos que são divulgados a meio ou nas vésperas de períodos eleitorais. Devem estar benzidos.

02:33 - Avisos para 2017

Mercados europeus seguem praticamente inalterados, com o sentimento positivo proveniente do outro lado do Atlântico a ser parcialmente anulado pelos avisos do Banco Central Europeu:

“Existe um risco de uma forte correção no mercado global se a incerteza política se intensificar, representando uma séria ameaça aos bancos, à estabilidade e ao crescimento económico.”

E tudo isto na esteira de um ano que se avizinha propício a surpresas nas urnas.

BCE alerta que a propagação do populismo poderá pôr em causa as reformas estruturais necessárias, o que teria efeitos nefastos sobretudo nos países altamente endividados.

Curiosamente, na bolsa, os períodos de maior volatilidade (Brexit e vitória de Trump) têm sido encarados como oportunidade de compra.

Será o mesmo se Le Pen ganhar (23 de abril)? Ou se Renzi sair? Ou se Merkel perder (22 de outubro)?

03:09 - Minuto do descanso

Nos EUA, o dia é de descanso. Uff…

Assim, não terei de anunciar nova alta amanhã…

A celebração do Dia de Ação de Graças esta quinta-feira vai deixar a bolsa encerrada.

Com os americanos distraídos com o peru, espera-se que o volume de negócios na Europa seja mais baixo do que o habitual.

04:10 - Nem tudo é o que parece

Divulgadas as minutas da Fed, já não restam dúvidas que as taxas de juro vão subir em dezembro.

Já falávamos desta possibilidade aqui há alguns meses…

A subida das taxas de juro nos EUA está a ter um impacto muito forte na desvalorização do euro relativamente ao dólar. A cotação do par está em mínimos do ano.

À medida que as expetativas de inflação sobem na terra do Tio Sam (outra vez, fruto do Trumponomics), também sobe a perspetiva de elevação de juros.

Com juros mais altos lá e com política monetária acomodatícia aqui, o cenário é de convergência cambial (1€ = 1$).

Num período onde toda a gente quer desvalorizar a moeda, por que é que os EUA ficariam com a fava?

O ano passado mostrou que em economia nada corre como o planeado. E o Fed voltou atrás com o plano inicial de elevação de juros.

Quando as exportações norte-americanas começarem a sofrer, será que fará o mesmo?

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EUR/USD – Fonte: Bloomberg

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.