Politiquices

Por exemplo, no Luxemburgo o trabalhador mais mal pago, no mínimo, leva para casa €1923. Na Bulgária, o outro extremo, o trabalhador nas mesmas condições leva apenas €184.

Maior Menor
Por 11 de Dezembro de 2015

.: Volatilidade
.: Preocupações e oportunidades
.: Salário Mínimo
.: Lá fora é que se ganha bem
.: Não-medidas

00:06 - Volatilidade

De acordo com a literatura financeira, a volatilidade é uma medida de dispersão dos retornos de um título ou índice de mercado.

Quanto mais o preço de uma ação varia num período curto de tempo, maior o risco de se ganhar ou perder dinheiro negociando este título.

Ora, este último ano tem sido marcado por muita volatilidade.

As incertezas à volta do BCE, Fed e China geraram movimentos bruscos no mercado acionista.

Será que nos devemos preocupar?

Este ambiente vai continuar?

01:23 - Preocupações e oportunidades

Em conversa, com um amigo que gere um fundo de ações em Londres.

Ele explica que este tema não o preocupa particularmente. A vol (nickname utilizado pelos traders) sempre existiu. Em algumas classes de ativos esta é maior do que noutras.

Então o que é que o preocupa?

A falta de crescimento.

A China está a mudar de uma economia baseada na indústria, para uma baseada no consumo.

Os dados mostram que essa mudança está a acontecer rapidamente, mas que os níveis antigos de crescimento não são sustentáveis.

Nos EUA, a subida dos juros pela Fed, pode gerar uma correção mais forte que o estimado, até porque as valorizações estão um pouco esticadas.

Alguma luz no horizonte?

Na Europa, há um crescimento muito ténue, mas a médio e longo prazo poderá ser sustentável.

02:44 - Salário Mínimo

Ainda agora o novo Governo tomou posse.

Já quer aumentar o ordenado mínimo.

António Costa reuniu-se ontem com vários parceiros sociais, com o intuito de aumentar o ordenado mínimo de €505 para €530 já em 2016.

O plano até 2019, é subir o limite mínimo dos atuais valores para os €600.

Os empresários concordam, em princípio, com a subida destes €25.

Mas as próximas subidas terão de ser avaliadas, de acordo com a recuperação ou não da economia portuguesa.

03:11 - Lá fora é que se ganha bem

Na Europa, a disparidade entre o ordenado mínimo mais alto e o mais baixo é abismal.

Por exemplo, no Luxemburgo o trabalhador mais mal pago, no mínimo, leva para casa €1923. Na Bulgária, o outro extremo, o trabalhador nas mesmas condições leva apenas €184.

Ou seja, menos 90%!

O PIB per capita dos dois países da União Europeia também não podia ser mais distante. A riqueza produzida por cada cidadão do grão-ducado luxemburguês é de 80 mil dólares ano.

Na pátria de Stoichkov, o cidadão em média produz 17 mil dólares durante um ano de trabalho.

Com algumas exceções, o ordenado mínimo deve ser um reflexo da riqueza produzida pelo país.

Não deve ser usado como promessa de político, ou como ferramenta para induzir na população uma falsa noção de desenvolvimento/crescimento.

Gráfico Salarios

04:01 - Não-medidas

Manuel Centeno diz que o défice de 2,7% não é alcançável e que são necessárias medidas para colocar o défice abaixo 3%.

Que medidas são essas?

1. Congelamento de processos pendentes de descativações e transições de saldos de gerência – expressão complicada, para verbas que só são libertadas com a autorização do Ministério das Finanças
2. Redução dos fundos da administração pública em €45 milhões de euros
3. O governo vai abster-se de assumir novos compromissos financeiros não urgentes

Ou seja, na prática o ministro não faz nada e chama-lhes “medidas”.

A admiração é se faltando 20 dias para acabar o ano, ele fosse aumentar a despesa, para no próximo ano ficar sobre o escrutínio de Bruxelas.

A única medida quantificável (ponto 2), fala de uma despesa que representa 0,06% da despesa total do estado.

É o equivalente a dizer que vai fechar a torneira lá de casa, enquanto esfrega os dentes.

boneco amarelo

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.