Portugal corre perigo?

Aparentemente a matriz económica em que se baseia teve um sucesso tremendo no passado. De 2001 a 2011, o país cresceu uma média de 0,5%… Não fosse a intervenção do Banco Central Europeu na nossa dívida e os juros do estado já estariam a voar.

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Por 28 de Janeiro de 2016

.: Costeno o demolidor
.: Quem se lixa é o mexilhão
.: Cenário pessimista
.: Aprende com os clássicos
.: Porque os capitalistas também sofrem

00:01 - Costeno o demolidor

A dupla Costa e Centeno está a provocar uma pequena revolução em Portugal.

Depois de reverter várias medidas do anterior executivo, chegou agora a vez de fazer frente à Comissão europeia.

O esboço do orçamento de estado está a levantar algumas sobrancelhas em Bruxelas.

O deficit estrutural (o que desconta os efeitos do ciclo económico) é superior ao que foi recomendado pelas autoridades europeias e as perspetivas de crescimento são demasiado otimistas.

O duo dinâmico garante que as projeções de crescimento são bastante conservadoras…

O racional do governo baseia-se numa falácia: se as estimativas internacionais apontam para um crescimento de 1,7%, com os estímulos fiscais que a esquerda implementou chegamos facilmente a 2,1%…

Costa Centeno

01:12 - Quem se lixa é o mexilhão

FMI, S&P e Moody’s já deram razão às autoridades europeias.

O nosso primeiro-ministro já fez saber que não mexe um milímetro.

Aparentemente a matriz económica em que se baseia teve um sucesso tremendo no passado. De 2001 a 2011, o país cresceu uma média de 0,5%…

Não fosse a intervenção do Banco Central Europeu na nossa dívida e os juros do estado já estariam a voar.

O problema é que a intervenção de Mario Draghi está dependente de apenas uma agência de rating.

A DBRS (canadiana) é a única que atribui um rating de investment grade a Portugal, e só através desta notação é que a dívida portuguesa cabe dentro do programa de compra de obrigações do Banco Central Europeu…

 

02:04 - Cenário pessimista

Se perdêssemos esse rating, Draghi não poderia comprar a nossa dívida…

E Portugal estaria novamente dependente dos mercados…

Corremos perigo, sim!

Se mesmo assim os juros já subiram de 2,5% para perto de 3% no último mês. Imagine o que aconteceria sem a ajuda do italiano…

Abril de 2011. All over again…

O cenário seria semelhante ao que se passou em Agosto de 2015, quando a Grécia voltou a precisar da ajuda dos parceiros europeus.

03:33 - Aprende com os clássicos

A retórica do Primeiro-ministro é do mais popularucho que se ouviu nos últimos tempos…

Crescimento, menos austeridade, mais emprego…

Promessas ocas, que podem custar muito caro aos contribuintes.

O mesmo discurso levou Tsipras à cadeira na Grécia.

Vejam-se os resultados: teve de engolir as palavras e foi obrigado a aplicar um dos pacotes de austeridade mais severos da história do país.

04:23 - Porque os capitalistas também sofrem

As notícias não auguram um final feliz na fatídica peça tragédia da bolsa portuguesa… 

Apesar do bom trabalho de alguns dos gestores nacionais…

Leia-se os resultados do BPI: “encerrou o último ano com de 236 milhões de euros, um resultado que compara com prejuízos em 2014”.

Estes números, comprovam que existe valor em algumas empresas do PSI20.

O desafio para quem negoceia em Portugal é que o risco país (associado à dívida pública) afasta o interesse internacional e coloca as empresas portuguesas no mapa dos hedge funds como hunting ground para short-selling (aposta na queda das ações).

 

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.