Prémios de risco

Burro velho não aprende línguas. A intenção do BCE em prol de uma normalização da política monetária pode ser a melhor possível.

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Por 12 de julho de 2017

.: Palavras não pagam dívidas
.: Salsicha e Picanha
.: Esquerda ou direita
.: Devidamente informado
.: Equilibrismo

00:13 - Palavras não pagam dívidas

Burro velho não aprende línguas. A intenção do BCE em prol de uma normalização da política monetária pode ser a melhor possível.

Infelizmente, os mercados estão viciados na morfina monetária.

Quando efetivamente as coisas estavam cinzentas (leia-se, durante a crise soberana), Mario Draghi assegurou que faria “tudo” para salvar o Euro.

Agora quer virar o bico ao prego.

As intenções talvez sejam novas, mas os investidores são velhos. E será difícil regressar a uma política ortodoxa de “eu subo taxas e os mercados não reclamam”.

Os truques de oratória para habituar as bolsas à ideia lembram aqueles da famosa história do Pedro e do Lobo.


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01:09 - Salsicha e Picanha

Facto é, o BCE passou de “por a carne toda no assador” para “tenho de ver se não sobra comida” em relação ao programa de compra de ativos.

Vale a pena lembrar que, anteriormente, os membros do BCE garantiam que as compras de títulos continuariam até ao final de 2017.

Agora, no entanto, parecem mais relutantes em confirmar o que acontecerá a seguir.

Teremos de esperar, pelo menos até setembro, antes que fique claro se reduzirão o ritmo das compras de ativos.

Eu estou a contar com isso, mas de forma muito gradual.

02:33 - Esquerda ou direita

Esta alteração reflete o debate que existe dentro do conselho de governantes.

A culpa é dos dados contraditórios:

De um lado, a atividade económica e a confiança continuam fortes e o desemprego continua a baixar.

Por outro lado, a robustez económica ainda não surtiu o efeito desejado nos preços: com uma taxa de inflação 1,3%, ainda estamos abaixo do objetivo do BCE, pouco abaixo de 2%.

Então como é que me oriento?

03:08 - Devidamente informado

Na verdade, mantenho vigilância apertada em dois conjuntos de indicadores.

O primeiro é o mercado de trabalho: não há sinais de que os salários estejam a aumentar rapidamente. O leitor deve saber isso melhor do que ninguém.

Isto sugere que o desemprego ainda terá de cair muito mais para impulsionar a inflação, o que, por sua vez, torna menos urgente a contração da política monetária.

O outro indicador é o preço do petróleo: se é verdade que o BCE se concentra principalmente na inflação core – que ignora itens voláteis como a energia – essa distinção pode ser, muitas vezes, ambígua.

Com a queda da cotação do petróleo, inevitavelmente haverá um efeito deflacionário na inflação core, o que tornará o banco central ainda mais relutante sobre o fim do QE.

04:22 - Equilibrismo

Sucintamente, o BCE enfrenta um desafio delicado entre comunicar as suas intenções, ao mesmo tempo, que mantem a capacidade de adaptar-se às circunstâncias que estão sempre em evolução.

À medida que nos aproximamos do outono, os investidores devem ser pacientes:

É melhor ter um banco central flexível do que aquele que se compromete com o caminho errado e, em seguida, tem que corrigir a rota.

Esta capacidade do banco central é uma das razões que me levou a escrever este documento que pode ler aqui.

 

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Pedro Gonçalves, Editor-sénior

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. É actualmente Editor-sénior da Empiricus Portugal.