Problemas sem resolução à vista

A tensão geopolítica global aumentou drasticamente após a decisão dos EUA de aplicarem taxas sobre as importações de aço e alumínio, e depois das ameaças recíprocas da Comissão Europeia que prepara tarifas sobre as importações norte-americanas de aço, têxteis e calçado.

Maior Menor
Por 6 de Março de 2018

.: Cartão de crédito
.: Cenário global
.: Principalmente ativos de risco
.: Empresas e lucros
.: Está aberta a caça

00:12 - Cartão de crédito

Uma conta de cartão de crédito, um mau relacionamento amoroso, uma ação que apresenta recorrentemente maus resultados…

Se deixados sozinhos e por resolver, estes problemas apenas tendem a agravar-se…

Quando esta displicência é generalizada, a fatura pode ser especialmente incómoda.

Os maiores riscos são precisamente aqueles que não conseguimos vislumbrar (ou preferimos ignorar), exatamente aqueles eventos para os quais não estamos preparados.

Por oposição, a volatilidade revela aquilo com que nos devemos preocupar e, assim, podemos endereçar a contrariedade.

A sua ausência é que deveria assustar, pois dissimula os riscos, empurra para debaixo do tapete a sujidade que virá a assolar-nos no futuro.

01:03 - Cenário global

A leitura dos jornais nas últimas semanas aponta para um cenário global muito mais ensombrado.

A tensão geopolítica global aumentou drasticamente após a decisão dos EUA de aplicarem taxas sobre as importações de aço e alumínio, e depois das ameaças recíprocas da Comissão Europeia que prepara tarifas sobre as importações norte-americanas de aço, têxteis e calçado.

No mercado ainda existe uma certa esperança de que tudo não passe de uma técnica de negociação, para Trump obter melhores termos com os seus parceiros comerciais da NAFTA.

02:10 - Principalmente ativos de risco

O céu limpo para ativos de risco observado no início do ano transformou-se em noite.

É nela, porém, que surgem as maiores oportunidades.

Considero que as últimas semanas tenham sido importantes para a consolidação do movimento ascendente dos ativos de risco, principalmente europeus.

Representam o teste do modelo, cuja superação tende a colocar-nos num patamar muito mais sólido, endereçando as principais dúvidas sobre a sustentabilidade do movimento.

03:04 - Empresas e lucros

As ações europeias voltam aos ganhos e afastam-se dos mínimos dos últimos seis meses atingidos na sexta-feira, à medida que o foco muda da política para as empresas e lucros.

Em relação às eleições italianas, o tema parece ter sido metido na gaveta…

A Itália vai estar tão amarrada nos próximos meses que, de certa forma, é quase uma bênção, porque não haverá grande espaço para surpresas.

Claro que, lá na frente, será um risco exacerbado porque a quarta maior economia da zona euro continua à deriva…

… mas isso são contas de outro rosário.

04:01 - Está aberta a caça

Não raras vezes recebemos aqui emails deste género…

Já percebi que tenho de diversificar, comprar ações de algumas boas empresas (ou ETFs), investir uma parcela em imobiliário, arriscar um pouquinho em criptomoedas, proteger a carteira com alguns seguros, mas em relação à parte sem risco do meu património. O que fazer com ela?

Esse é talvez a million dolar question neste momento.

Vamos às opções:

  • Obrigações de longo prazo carregam um risco tremendo – porque se as taxas de juro subirem o preço das obrigações vai por aí abaixo.
  • Obrigações de curto prazo – pagam juros negativos.
  • Produtos de poupança do Estado – remuneram abaixo dos melhores depósitos a prazo.

Declaro aberta a caça aos melhores DP’s.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.