Quando a queda é demasiada

No caso da banca e para quem só acompanha o mercado nacional, com certeza já reparou, que o BCP e, agora, o BPI estão em queda livre.

Maior Menor
Por 20 de Janeiro de 2016

.: Manigância do mercado
.: Dúvidas matam
.: Dívida lixo
.: Contar com sapatos de defunto
.: Eixo de conversa

00:08 - Manigância do mercado

O investidor é desconfiado.

Quando não entende o que está a acontecer.

Prefere vender a esperar que a tempestade passe.

Isso origina movimentos exagerados (overshoot), sobretudo no mercado acionista (o mais líquido – onde existe mais facilidade em vender e comprar).

Não é de admirar que com receios de que a crise no preço do petróleo se propague para as outras classes de ativos num efeito dominó, os principais índices europeus (DAX, CAC, Eurostoxx50, Stoxx600) estejam hoje a despencar e negoceiam já abaixo dos mínimos do ano passado.

Alguns setores, inclusive, negoceiam em mínimos dos últimos 3 anos (por exemplo, o setor financeiro). Abaixo pode ver a performance do STOXX 600 BANKS, o índice setorial que reúne os maiores bancos da Europa.

Stoxx600

01:21 - Dúvidas matam

No caso da banca e para quem só acompanha o mercado nacional, com certeza já reparou, que o BCP e, agora, o BPI estão em queda livre.

No caso do BCP já são 28% em 5 dias…

Se por um lado a decisão de incluir os credores de dívida sénior do Novo Banco fez disparar os alarmes dos investidores internacionais…

Por outro, a qualidade dos créditos que os bancos têm em carteira voltaram à ribalta.

Em Itália, o malparado (dívida que não é paga) bateu um recorde de 201 mil milhões de euros em Novembro.

Com taxas de juro tão baixas, crédito malparado ainda em níveis recorde, o acionista tem de se questionar de que forma é que tudo isto vai afetar a rendibilidade, e consequentemente a saúde das instituições financeiras.

02:12 - Dívida lixo

Para ajudar à festa, ainda falta o problema das high-yield bonds (títulos de dívida corporativa que têm um risco de crédito maior e que por isso remuneram taxas de juro mais altas).

Com a necessidade de aumentar a rendibilidade, face as cada vez mais baixas taxas de juro, as instituições financeiras começaram a emprestar a empresas que tinham menos solvabilidade (e que por isso, estão dispostas a pagar mais).

Várias destas empresas são do setor petrolífero. Não me estou a referir às Shells e BP’s da vida…

Mas a empresas mais pequenas, que fazem parte da cadeia de valor, e que beneficiaram da vontade dos bancos (e outros investidores) de captarem maior retorno.

A cotação do petróleo abaixo dos 30 doláres, colocou estas empresas numa posição muito desconfortável e podem entrar em default, já que depende dos planos de investimento dos gigantes da indústria, que com esta cotação começam a cortar…

Esta situação pode agravar ainda mais o malparado…

European high yeld

03:23 - Contar com sapatos de defunto

Em Portugal, já toda a gente começa a fazer contas à vida.

Depois de quatro anos a assistir cada conferência de imprensa de Vítor Gaspar (e depois de Maria Luís Albuquerque) com mais atenção do que às calinadas do Jorge Jesus…

O novo Governo parece que vive numa realidade alternativa.

Uma em que não existe um deficit excessivo e que os riscos de uma recessão global não têm impacto numa economia como a nossa (por isso toca a incentivar o consumo interno).

Bruxelas já avisou que o novo orçamento de Estado está muito longe do pretendido… eles também sabem fazer contas e já não vão em truques de contabilidade…

É que para o PS aumentar a despesa e considerar (ao mesmo tempo) um deficit menor, basta aumentar a perspetiva de crescimento do PIB (com todos os riscos exógenos que isso comporta e que estes preferem ignorar)…

É como se o José, que tem rendimentos de €1000, avisa-se os credores que vai gastar €1050 este ano porque espera ganhar €1100, sem explicar cabalmente como vai ganhar mais €100 ou se vai garantir emprego até lá…

04:10 - Eixo de conversa

O meu professor de história sempre me falou que preferia que as suas aulas fossem uma troca de ideias, ao invés de ele ir para a sala de aulas debitar matéria…

Para isso pedia-me a mim e aos meus colegas que antes de cada aula preparássemos um conjunto de perguntas para que ele pudesse responder durante as lições…

Bem… hoje calha-me a mim essa missão…

Não que queira ser seu professor, mas já que tem de me ler… gostava de ser interessante.

Queria a lhe perguntar o que é que quer que eu fale.

Temas, sugestões, dúvidas. Melhor, responda ao M5M com as suas questões para podermos falar aqui no M5M daquilo que realmente lhe preocupa…

Provavelmente alguns dos temas até já foram abordados na nossa página

Se calhar até já está farto que eu ande sempre a dar na cabeça do Costa.

Fico à sua espera…

 

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.