Razões para cair
Depois de um máximo de 1,10 no EUR/USD, a moeda europeia tem perdido valor face à congénere norte-americana e encontra-se nos 1,07. Se o cenário que descrevi em cima se concretizar (+ medidas), então será expetável uma desvalorização ainda maior.
.: Desvalorização made in China
.: Signo gémeos
.: Alemanha é que manda
.: Vamos ter de mudar o chip
.: Divergência monetária
00:11 - Desvalorização made in China
Infelizmente, os dados da China continuam a fazer mossa na Europa.
Desta vez, foram os indicadores do setor dos serviços.
Depois do arrefecimento da atividade industrial, agora o consumo também entra em modo catatónico.
Não seria tão grave se o governo chinês não fosse ao mesmo tempo arquiteto, engenheiro e trolha.
De um lado a pressão social para mudar o perfil económico do país e do outro a vontade de crescer.
Resultado: política monetária contraditória.

01:03 - Signo gémeos
Banco central chinês desvaloriza o yuan para revitalizar a indústria exportadora.
Os produtores que estavam no aquecimento, voltam a ser chamados para o banco de suplentes.
Afinal já não vão entrar.
Coreia, Japão e Sudeste Asiático afundam, porque o governo Chinês, afinal, quer continuar a ser a fábrica do mundo.
Na Europa, esta bipolaridade tem maior impacto no terceiro maior exportador mundial.
O DAX alemão começa o ano a perder 5%.
02:32 - Alemanha é que manda
Se os panzers não saem da fábrica, o sentimento do acionista afrouxa.
É verdade que nos últimos anos o spread (performance comparativa) entre o DAX (em laranja) e os restantes índices europeus está em máximos históricos.
Para este diminuir, era importante que França, Espanha, Itália e, porque não, Portugal, tivessem uns bons anos em relação ao índice germânico.
O problema é que a Alemanha é o barómetro das outras bolsas.
Se esta não sobe, as outras desanimam.

03:19 - Vamos ter de mudar o chip
Na falta de histórias internas, a Europa olha para fora à procura de razões para cair.
Acho, no entanto, que a razão para subir está já aqui ao virar da esquina.
O mercado não precifica nova ação do BCE depois da última feita em Dezembro (que acabou por ficar abaixo das expetativas, se o leitor se recorda).
A verdade é que os dados da inflação (o Santo Graal da politica monetária atual) continuam a desapontar.
Em dezembro, a inflação ficou nos 0,2%. Se não consideramos a desvalorização do petróleo, a variação dos preços fica-se pelos 0,9%.
Muito longe do target de 2%.
Nesse sentido, existe margem para o Sr. Draghi anunciar novas medidas.
Resta saber quando e se o vai fazer.
04:10 - Divergência monetária
No campo das moedas, o comportamento continua como previsto no M5M de 4 de Dezembro.
Depois de um máximo de 1,10 no EUR/USD, a moeda europeia tem perdido valor face à congénere norte-americana e encontra-se nos 1,07.
Se o cenário que descrevi em cima se concretizar (+ medidas), então será expetável uma desvalorização ainda maior.
O risco é a economia americana abrandar e Yellen & Companhia afrouxar com a contração monetária.
O trade Eur/Dolar está, basicamente, dependente do que vai na cabeça destes dois banqueiros.
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Pedro Gonçalves, Editor-chefe
Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.
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