Razões para cair

Depois de um máximo de 1,10 no EUR/USD, a moeda europeia tem perdido valor face à congénere norte-americana e encontra-se nos 1,07. Se o cenário que descrevi em cima se concretizar (+ medidas), então será expetável uma desvalorização ainda maior.

Maior Menor
Por 6 de Janeiro de 2016

.: Desvalorização made in China
.: Signo gémeos
.: Alemanha é que manda
.: Vamos ter de mudar o chip
.: Divergência monetária

00:11 - Desvalorização made in China

Infelizmente, os dados da China continuam a fazer mossa na Europa.

Desta vez, foram os indicadores do setor dos serviços.

Depois do arrefecimento da atividade industrial, agora o consumo também entra em modo catatónico.

Não seria tão grave se o governo chinês não fosse ao mesmo tempo arquiteto, engenheiro e trolha.

De um lado a pressão social para mudar o perfil económico do país e do outro a vontade de crescer.

Resultado: política monetária contraditória.

Panda

01:03 - Signo gémeos

Banco central chinês desvaloriza o yuan para revitalizar a indústria exportadora.

Os produtores que estavam no aquecimento, voltam a ser chamados para o banco de suplentes.

Afinal já não vão entrar.

Coreia, Japão e Sudeste Asiático afundam, porque o governo Chinês, afinal, quer continuar a ser a fábrica do mundo.

Na Europa, esta bipolaridade tem maior impacto no terceiro maior exportador mundial.

O DAX alemão começa o ano a perder 5%.

02:32 - Alemanha é que manda

Se os panzers não saem da fábrica, o sentimento do acionista afrouxa.

É verdade que nos últimos anos o spread (performance comparativa) entre o DAX (em laranja) e os restantes índices europeus está em máximos históricos.

Para este diminuir, era importante que França, Espanha, Itália e, porque não, Portugal, tivessem uns bons anos em relação ao índice germânico.

O problema é que a Alemanha é o barómetro das outras bolsas.

Se esta não sobe, as outras desanimam.

CAC

 

03:19 - Vamos ter de mudar o chip

Na falta de histórias internas, a Europa olha para fora à procura de razões para cair.

Acho, no entanto, que a razão para subir está já aqui ao virar da esquina.

O mercado não precifica nova ação do BCE depois da última feita em Dezembro (que acabou por ficar abaixo das expetativas, se o leitor se recorda).

A verdade é que os dados da inflação (o Santo Graal da politica monetária atual) continuam a desapontar.

Em dezembro, a inflação ficou nos 0,2%. Se não consideramos a desvalorização do petróleo, a variação dos preços fica-se pelos 0,9%.

Muito longe do target de 2%.

Nesse sentido, existe margem para o Sr. Draghi anunciar novas medidas.

Resta saber quando e se o vai fazer.

04:10 - Divergência monetária

No campo das moedas, o comportamento continua como previsto no M5M de 4 de Dezembro.

Depois de um máximo de 1,10 no EUR/USD, a moeda europeia tem perdido valor face à congénere norte-americana e encontra-se nos 1,07.

Se o cenário que descrevi em cima se concretizar (+ medidas), então será expetável uma desvalorização ainda maior.

O risco é a economia americana abrandar e Yellen & Companhia afrouxar com a contração monetária.

O trade Eur/Dolar está, basicamente, dependente do que vai na cabeça destes dois banqueiros.

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Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.