Regras da casa

Traders correm para a entrada, depois de uma notícia ter vinculado que o Estado italiano vai criar um fundo para injetar liquidez nos bancos do país…O FTSE Milão sobe 2,5% e o resto da Europa vai atrás…

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Por 8 de Abril de 2016

.: Short-squeeze
.: Ajuda também aqui
.: Arranjinhos públicos
.: Omnipotência
.: Solução contrária

00:13 - Short-squeeze

Traders correm para a entrada, depois de uma notícia ter vinculado que o Estado italiano vai criar um fundo para injetar liquidez nos bancos do país…

O FTSE Milão sobe 2,5% e o resto da Europa vai atrás…

A credibilidade da notícia parece zero, mas como a data avançada pela imprensa para o programa é segunda-feira…

Short-sellers fecham as suas posições curtas antes do fim de semana e provocam um short-squeeze (recompra generalizada dos títulos vendidos)…

O movimento de aquisição em massa cria um efeito de valorização das ações no curto-prazo… se por ventura, a notícia for mentira…

Ou mesmo que seja verdade… (lembra-se? o rumor é mais poderoso que um facto).

Segunda volta tudo ao mesmo.

01:03 - Ajuda também aqui

O resto das bolsas cavalgam no movimento positivo e arrebitam também…

Menos, bem menos (0,5%) que os transalpinos…

A notícia também ajuda no mercado de dívida e as taxas de juro dos países periféricos respiram de alívio depois do calor das últimas sessões…

Portugal está neste grupo…

Variações diárias que pouco nos dizem sobre os fundamentais que estão por baixo.

Esses nós sabemos que não vão mudar, por causa de um plano estatal para salvar a banca…

02:12 - Arranjinhos públicos

De plano estatal em plano estatal, lá vão os governos a tirar dinheiro dos contribuintes para meter no bolso dos privados…

Os planos da banca já são sobejamente conhecidos…

Mas e os outros? Agricultura, pesca, transportes públicos, educação e saúde…

Onde o estado entra… o resultado é sempre o mesmo.

O preço sobe para os consumidores e o serviço piora…

No processo, um ficam mais ricos e os outros (nós) ficamos sem perceber aonde é que anda o dinheiro…

03:09 - Omnipotência

No espetro do que é banal, chega-nos mais um caso de comédia humana.

João Soares, ministro da cultura, decidiu oferecer uma bardoada a jornalistas do Público.

Quem está no poder, não lida bem com a crítica e acha-se com direito a tudo e que sabe mais do que os outros…

Da mesma forma, que o Centeno e Costa negam a necessidade de um plano B.

Eles sabem (sempre) mais e melhor…

04:05 - Solução contrária

Na constante luta entre o Estado e o cidadão, o Panama pappers é um uppecut mesmo no queixo dos contribuintes…

Vejam o sorriso do François Hollande: “Estas revelações são boas notícias porque vão aumentar as receitas dos impostos por parte daqueles que cometeram as fraudes”, explicou…

Até esfregou as mãos…

Mais uma razão para aumentar a supervisão e a regulamentação…

Ninguém explica, no entanto, é porque é que são sempre interesses próximos de governos que estão envolvidos nestes escândalos. Já é da praxe.

A crítica à corrupção o leitor já a leu nos media. Não quero ser mais um.

Aqui proponho uma análise diferente. Fora do radar, por assim dizer…

O aumento da supervisão, na física, só cria a necessidade de esquemas mais complexos, certo?

Ninguém, no seu perfeito juízo, acha que quem foge vai deixar de fugir.

Isso faz com que a indústria das off-shores se torne cada vez mais rentável.

Afinal por esquemas mais complexos, podem cobrar mais… Isto aumenta o preço de entrada, faz com que esta só seja acessível aos bilionários…

E portanto, quando se diz que se vai aumentar os impostos à classe mais rica, na pratica só se taxam aqueles que não conseguem fugir (pagar à tal indústria).

A classe baixa e média.

Nunca ninguém se lembra é que a fuga existe, sobretudo porque os impostos são demasiados altos. Há os que escondem o dinheiro ganho ilicitamente. Mas o problema aí já está na origem do dinheiro.

Serei eu muito louco em propor uma solução diferente: que tal mais liberdade e menos impostos?

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.