Resolução de Ano Novo

Decidi antecipar uma resolução de Ano Novo – daquelas que infelizmente acabamos por nunca cumprir… Desta vez, não esperei pelo primeiro dia de 2017.

Maior Menor
Por 2 de Novembro de 2016

.: Antecipando o Réveillon
.: Chamada de atenção
.: O seu pior amigo
.: Passeio à beira mercado
.: Performance comparativa

00:09 - Antecipando o Réveillon

Decidi antecipar uma resolução de Ano Novo – daquelas que infelizmente acabamos por nunca cumprir… Desta vez, não esperei pelo primeiro dia de 2017. Cheguei a casa, agarrei na televisão e vendi-a no OLX.

Eu sempre retirei prazer da leitura… Mas desde que o retângulo da Samsung entrou lá em casa, dou por mim a definhar em frente da TV… e a pilha de “livros por ler” vai-se acumulando na mesa de cabeceira.

Tirando o fanático das séries, este sentimento de aborrecimento é certamente compartilhado por todos nós. Há tantas coisas melhores para fazer do que ficar sentado em frente à televisão. Mas se ela ali estiver, o seu magnetismo acaba por nos atrair para uma sensação de falso entretenimento.

Tudo aquilo me parece um veneno para matar o tempo. Exatamente o contrário de aproveitar o tempo.

Não tive de esperar muito para obter retorno desta minha mudança. Acabei o dia a ler “Um conto de Duas Cidades” de Charles Dickens.

Um upgrade incomensurável em relação à programação que inunda as nossas emissoras.

01:12 - Chamada de atenção

Posso ter exagerado na importância desta transformação. Desculpe-me. Engrandeço porque sei que a TV já o deixou dormente a chamadas de atenção.

Serve o ponto para explicar que se quer mudar alguma coisa na sua vida, deve fazê-lo agora, ao invés de deixá-lo para depois.

Essa mudança pode ser: deixar de ver televisão, começar a fazer reciclagem, fazer aquele plano de treino para reduzir o perímetro abdominal, ser mais compreensivo ou começar a fazer contas no início do mês entre o deve e o haver.

Talvez a mais difícil e que já adiou várias vezes: tomar as rédeas da sua vida financeira.

02:06 - O seu pior amigo

Por facilitismo, praticamente todas as decisões que dizem respeito ao seu património são tomadas com o auxílio do gestor de conta… Pior, são deliberadas por ele.

Ninguém, além de você mesmo, terá a gestão do seu património em mais alta consideração. Portanto, não espere que o seu gestor, que tem de responder por objetivos comerciais, lhe vá dar a melhor solução possível.

A Empiricus escrutinou neste último ano o mercado à procura das melhores soluções para a sua carteira. Neste novo desafio, o meu trabalho será (tentar) guiá-lo por um ambiente instável, onde a incerteza nunca desaparecerá.

Uma floresta sujeita às intervenções do imponderável, densa e de visibilidade baixa.

Estamos prontos para o lançamento de um documento revelador. Peço-lhe um pouco mais de paciência e aguarde por novidades nos próximos dias.

03:04 - Passeio à beira mercado

Vamos agora dar um passeio pelos noticiários económicos….

Mercados mundiais vivem novo dia de mau humor, penalizados pela instabilidade política na Coreia do Sul e pelos receios em torno das eleições nos EUA, depois de uma nova sondagem dar vantagem a Trump (já explicamos aqui porquê).

Parece que nem tudo está tão bem quanto os tomadores de risco querem, não é?

Enquanto o mercado foca a sua atenção nas presidenciais, o cenário de elevação de juros pelo Fed em dezembro consolida-se.

É hora de começar a pensar na parte recessiva do ciclo.

passeio-à-beira-mercado

04:07 - Performance comparativa

Na média, os seus investimentos têm uma performance em linha com o mercado.

Não se sinta mal por isso. Nem todos podemos ser o Warren Buffett, apesar dessa eventualidade lhe ser vendida pelo seu corretor.

Pior mesmo é ter performance abaixo do mercado. O que infelizmente é bastante comum para o investidor português.

Muitos foram aqueles que perderam fortunas no PSI20 no pós-crise financeira e não foram capazes de recuperar o património destruído.

Uns porque simplesmente desistiram da classe de ativos que mais riqueza produz (ações). Logo, em nenhum outro lado se consegue gerar esse tipo de retorno.

Outros porque cometeram o mesmo erro duas vezes. Não diversificaram e mantiveram a sua exposição centrada no índice português. Um dos piores do mundo nestes últimos anos.

Apesar de algumas boas opções de empresas na praça lisboeta, temos que ir além. Está disposto a investir fora de Portugal?

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.