Resposta às suas dúvidas

Com um dia tão calmo nos mercados, acho que é a oportunidade perfeita para responder a algumas dúvidas que recebemos nos últimos dias.

Maior Menor
Por 20 de Novembro de 2015

.: Separação anunciada
.: Final do ano
.: Maior risco
.: Procura de yield
.: Armas do BCE

00:02 -Separação anunciada

O divórcio foi finalizado.

A Eni vendeu os últimos 4% que detinha na Galp.

Nesta fase acontece uma precificação do título, uma vez que foi criado um valor de referência na cabeça dos investidores, e consequentemente pode limitar a valorização da ação no curto-prazo.

Se olharmos a longo-prazo esta notícia é excelente para os atuais acionistas. Ninguém gosta de comprar um apartamento num prédio onde existem muitas janelas com anúncios da Remax. Mas quando esses anúncios desaparecem…

No velho continente o fim-de-semana chegou mais cedo.

Depois de ontem terem atingido máximos de três meses (gráfico do STOXX600 abaixo), hoje transacionam com variações pouco expressivas.

stoxx600

01:01 - Final do ano

Com um dia tão calmo nos mercados, acho que é a oportunidade perfeita para responder a algumas dúvidas que recebemos nos últimos dias.

João M. perguntou-me ontem, ainda vou a tempo de aproveitar o rally de final do ano?

Esta pergunta é muito pertinente. Nos últimos anos, temos verificado que de Setembro a Janeiro é o melhor período do mercado Europeu.

No entanto, a máxima do mercado é que retornos passados não garantem retornos futuros.

Por essa razão a minha resposta é simples.

Ninguém consegue prever o comportamento do mercado no curto-prazo, mas tendo em conta a dinâmica dos vários bancos centrais, eu defendo que deve considerar a possibilidade de incluir o investimento de ações europeias sempre com um horizonte temporal mínimo de dois a três anos.

02:34 - Maior risco

Neste caso vou transcrever a pergunta do nosso estimado leitor:

”Pedro, qual é o principal risco para Europa no próximo ano?”

Na minha opinião o grande desafio de 2016 será a gestão da “crise dos refugiados”.

Os ataques terroristas de Paris devem resultar numa alteração do paradigma político europeu, ou simplesmente podem levar a uma alteração do padrão de consumo dos cidadãos europeus.

Qualquer um destes outcomes poderá ter um impacto no crescimento europeu e nos resultados das empresas.

Apesar de ser um tema que está presente na cabeça de todos os europeus, eu considero que o impacto económico ainda não está refletido no preço dos índices.

03:22 - Procura de yield

Esta é bem genérica: qual é a grande oportunidade de 2016?

Considero que a Reserva Federal irá perder importância ao longo de 2016.

De acordo com as minutas divulgadas esta semana, Janet Yellen e companhia irão subir as taxas de juro gradualmente e o mercado já desconta essa alteração na política monetária.

O crescimento mundial vai continuar anémico, o que vai aumentar o apetite por ativos com maior retorno.

As obrigações de baixo-risco que foram compradas antes da crise financeira estão perto da maturidade. Por exemplo, as 10y Treasury Bonds compradas em 2006 e 2007 ou as bunds da mesma colheita.

Na altura, as taxas de cupão eram muito atrativas. Esses investidores vão voltar a ter liquidez e no mercado já não existem este tipo de ativos.

Por outras palavras, é impossível encontrar esses tipo de retornos sem correr riscos.

O investidor que souber antecipar esta necessidade estará bem posicionado para capitalizar do próximo grande shift de ativos.

04:11 - Armas do BCE

Que armas é que o Mario Draghi ainda tem no arsenal?

Atualmente o BCE só pode comprar até 33% do total da dívida emitida por cada estado membro.

Se aumentar o ritmo de compras dos atuais 60 mil milhões para 80 mil milhões de euros por mês vai esgotar os ativos disponíveis em 2017.

A solução pode passar por aumentar o limite para 50%, mas esta opção vai encontrar muita oposição no concelho.

Pode usar uma postura nipónica, isto é, intervir no mercado de ações, através da compra de derivados ou diretamente de ações.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.