A reviravolta da bolsa nacional

Historicamente, a diminuição na perceção de risco é um dos maiores drivers das avaliações bolsistas.

Maior Menor
Por 15 de Março de 2018

.: Despacito
.: Make Portugal great again
.: Descida acentuada
.: Drivers de avaliação
.: Passar os olhos

00:12 - Despacito

O PSI 20 passou ontem a positivo, acumulando um ganho próximo de 1% em 2018. É pouco, mas já é qualquer coisa.

PSI 20 – Fonte: Financial Times

É a mesma bolsa que há um mês, parecia bem mais atrativa nos antigos 5.750 pontos do que nos atuais 5.450, quando deveria ser o oposto.

O receio de uma escalada dos juros tomou conta dos mercados e o pequeno índice nacional levou por tabela.

01:33 - Make Portugal great again

É do conhecimento geral que os bancos centrais estão a reduzir as apostas de injeção de estímulos.

Mas, não é por isso que o tesouro português tem tido dificuldade em financiar-se.

Voltámos a captar no mercado internacional, colocando na véspera 1.250 milhões de euros em títulos com vencimento a mais de 10 anos tendo suportado os custos de financiamento mais baixos de sempre.

Para ter uma ideia, foram colocados 925 milhões de euros em obrigações do Tesouro a 10 anos com uma yield de 1,778%. O estado americano paga 2,8% em títulos com a mesma maturidade.

E esta Trump?

02:04 - Descida acentuada

Os desdobramentos de uma descida acentuada das yields têm sido muito ténues na bolsa nacional.

Repare, no gráfico do 1º minuto, como o índice está mais perto do mínimo alcançado no final de 2016 do que do máximo de 2014.

Aquele nível abaixo dos 4.500 pontos coincidiu com a escalada dos juros nacionais que chegaram acima dos 4%.

Agora que a yield está em mínimos históricos, a réplica no sentido contrário tem sido bastante mais fraca.

03:01 - Drivers de avaliação

Isto claro abre uma excelente oportunidade.

Historicamente, a diminuição na perceção de risco é um dos maiores drivers das avaliações bolsistas.

Primeiro, porque tem um impacto direto nos DCFs das empresas: custos de financiamento mais baixos traduzem-se, regra geral, em price targets mais generosos.

E em segundo, porque são um belo indicador do apetite ao risco dos investidores internacionais (prémio de risco).

Por várias vezes expliquei que o que faz mudar os preços são as expectativas… não exatamente os fundamentos.

04:10 - Passar os olhos

Sendo assim, o momento assume especial importância principalmente por duas razões:

– A bolsa ainda não reagiu à descida da perceção do risco, mesmo sendo uma das mais baratas a nível mundial.

– 90% das cotadas nacionais pagam os seus dividendos entre abril e junho.

Para quem quer capturar estes ganhos, o Diogo preparou um relatório especial. Vale a pena passar os olhos.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.