Sempre a bater recordes

O Orçamento de Estado já foi publicado em Diário da República. Promulgado em tempo recorde por Marcelo.

Maior Menor
Por 28 de Dezembro de 2016

.: Chegando lá
.: No meio de tudo o resto
.: Ups! China outra vez?
.: Recorde Olímpico
.: A indescritível leveza do perdão fiscal

00:07 - Chegando lá

O painel de cotações tem uma paleta de cores muito propícia à quadra natalícia. Entre verdes, brancos e vermelhos, mercado europeu e internacional seguem meio perdidos e sem direção.

Nos EUA, o Dow Jones fechou novamente em ligeira alta, agora à distância de um clique da marca histórica dos 20.000 pontos. Será hoje que fecha acima dessa barreira psicológica? Estão a valer apostas…

Na Europa, bolsas seguem inalteradas enquanto os investidores digerem os comentários do BCE, que estima necessidades de capital do Monte dei Paschi maiores do que os montantes veiculados nos noticiários. Não são sempre?

Em Lisboa é dia de cozido aqui no Sr. Manuel – com um mercado destes, talvez seja melhor escolher algo mais leve — ou tomar um café extra, pois a tarde será de sono…

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00:58 - No meio de tudo o resto

Entre índices meio azamboados, destaque para o petróleo.

Em vésperas de se efetivarem os cortes de produção, os futuros do ouro negro seguem na série mais longa de altas em quase sete anos. Hoje arremetem novamente cheios de energia (passe o pleonasmo).

Os volumes continuam fracos em todo o mundo, nesta que é a última semana do ano, com o volume do DAX cerca de 45 por cento abaixo da média dos últimos 30 dias.

Por ora, os investidores têm demonstrado resiliência face a choques vindos da votação do Brexit e da vitória presidencial de Donald Trump, enviando o dólar para o nível mais alto da última década e impulsionando os índices acionistas para máximos de todos os tempos…

Por outro lado….

02:34 - Ups! China outra vez?

O primeiro dia de 2017 é quando a quota anual que dá a cada chinês o direito de converter os seus yuans (moeda chinesa) em $50.000 faz reset.

Será o tiro de partida para mais uma corrida para vender a moeda local.

Quero muito acreditar que não entraremos no próximo ano exatamente da mesma forma que fizemos em 2016.

Porém, os ingredientes são exatamente os mesmos:

1. Desvalorização do yuan com queda abrupta das reservas chinesas;
2. Contração da política monetária da Fed.

O mercado é assumidamente bipolar: pode identificar os mesmos sintomas e interpretar de forma distinta. Logo, logo saberemos…

03:13 - Recorde Olímpico

O Orçamento de Estado já foi publicado em Diário da República. Promulgado em tempo recorde por Marcelo.

De entre as medidas, saltam à vista um novo imposto adicional ao IMI, redução faseada da sobretaxa de IRS e aumentos extra nas pensões.

Estas são apenas algumas das medidas de um Orçamento que, mais uma vez, é pródigo em novidades que mexem com o bolso dos portugueses, mas que realmente não mudam nada.

Trata-se, mais uma vez, de um exercício de distribuição da riqueza que não existe.

Lembro imediatamente os argumentos de quem não pensa investir em Portugal e que tanto influenciaram as políticas que se tentaram implementar durante o programa de assistência.

Por exemplo: falta de flexibilidade do mercado laboral, código fiscal complexo, regulação excessiva, setor empresarial do estado desmesurado, máquina pública ineficiente, lentidão da justiça, subsídios clientelistas, etc.

Pelo jeito, o político português segue a máxima da lei do menor esforço.

recorde-olímpico

04:08 - A indescritível leveza do perdão fiscal

O nosso indescritível Governo vai encaixar 511 milhões de euros com a regularização de dívidas que os contribuintes, individuais e empresas, tinham para com o fisco.

Durante o Governo anterior, outros perdões fiscais foram usados para embelezar as contas públicas e cumprir metas orçamentais. Hoje, a situação é a mesma.

Como o Governo andou o ano todo a anunciar que não haveria um plano B, pressuponho que este programa ainda se encontra dentro do plano A, certo?

Se assim é, mais tarde ou mais cedo, os cidadãos vão perceber que podem safar-se das penalizações inerentes ao não-cumprimento das suas obrigações… basta aguardar que o Governo fique à rasca de dinheiro…

Enquanto isso, os cidadãos cumpridores ficam com cara de idiotas…

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.