Só para recordar o que é importante

Não há volta a dar. Cada estratégia de investimento expõe o leitor ao risco. Assim, é impossível uma estratégia de alto retorno ter um baixo risco.

Maior Menor
Por 2 de Dezembro de 2016

.: Quanto mais as coisas mudam mais elas ficam na mesma
.: Se quer garantias fique em casa
.: Sem dor não há ganho
.: Os números interessam
.: Tudo tem um preço

00:09 – Quanto mais as coisas mudam mais elas ficam na mesma

“Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.

Esta frase de Lavoisier determina que nada é novo, nada se vai embora, mas tudo toma aspetos diferentes.

Analogamente, nada desaparece: tudo se decompõe.

Passa a ter outra aparência, outra textura ou uma forma completamente diferente, mas a antiga matéria ainda está lá.

Tal como a substância, as ideias de investimento não desaparecem realmente.

Todos os anos, consultores de investimento “redescobrem” estratégias há muito esquecidas e apresentam-nas como “novas”.

Para providenciar a aparência de originalidade, atribuem nomes incomuns (preferencialmente com a inclusão de letras gregas).

Omega torna-se estratégia de comprar ações com múltiplos baixos. E Alpha serve praticamente para tudo.

O politicamente correto do mercado, não discrimina na hora de atrair capital e cobrar comissões.

01:22 – Se quer garantias fique em casa

A pequena introdução serve para apresentar um tema sério.

Às portas de um mercado acionista e obrigacionista sobreaquecido, achei que estava na hora de lembrá-lo dos pontos fundamentais de qualquer investimento.

Não importa o que os proponentes de uma estratégia de investimento lhe dizem (ou o seu gestor de conta), não existem estratégias (produtos financeiros) com sucesso garantido (ou sem risco).

Qualquer ativo é volátil e todos são impactados por centenas de variáveis, algumas relacionadas com a economia global e outras intrínsecas ao ativo.

Em face de informação imprevista, até a estratégia mais bem elaborada pode ser ruinosa.

02:33 - Sem dor não há ganho

É talvez a lição mais antiga quando se trata de investir: não pode haver retorno, sem tomar risco. Porém, é a regra mais levianamente descartada.

Não há volta a dar. Cada estratégia de investimento expõe o leitor ao risco.

Assim, é impossível uma estratégia de alto retorno ter um baixo risco.

Se não está confortável com isso, então deve evitar assumir risco. Não é nada contra si. Simplesmente não tem perfil. E não importa o quão promissor possa parecer no papel.

Esqueça…

Então, porque alguns investidores estão dispostos a iludir-se a eles próprios que podem ter o melhor dos dois mundos?

Agradeça aos famigerados riscos escondidos. Isto é, estratégias de investimento que têm sucesso na maioria das vezes e entregam retornos sólidos e consistentes quando o fazem… mas quando falham originam perdas avassaladoras.

03:44 - Os números interessam

Nesse caso, se os riscos estão quase sempre escondidos, o que é que posso fazer?

Primeira regra: nunca compre um ativo acima do seu preço justo.

O valor de um negócio é sempre uma função da sua capacidade de gerar
fluxos de caixa dos seus ativos, a taxa de crescimento desses fluxos no tempo e a incerteza associada com esses fluxos.

Em bull markets, os investidores tendem a esquecer os fundamentos que qualificam o valor – fluxos de caixa, a expectativa de crescimento e o risco – e procuram novos paradigmas para explicar é que as coisas agora são diferentes.

Mas lembre-se: as ações que parecem baratas, também o são por alguma razão.

04:20 - Tudo tem um preço

Os investidores estão constantemente à procura de características que acreditam tornar empresas banais em empresas especiais: gestão superior, a marca, crescimento de lucros, um grande produto…

De facto, todas essas características são importantes. Porém, temos de reconhecer que os mercados tendem a fazer um trabalho de precificar essas vantagens competitivas.

Empresas com uma marca forte negoceiam normalmente com múltiplos elevados, assim como as empresas com estimativas de forte crescimento.

Assim, a pergunta que você como um investidor tem de fazer, não é se uma marca forte torna uma determinada empresa mais valiosa, mas se o preço anexado ao nome da marca pelo mercado é muito alta ou muito baixo.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.