Tempo para pensar

A bazuca de Mario Draghi continua a destruir as taxas de juro portuguesas de curto-prazo. Portugal conseguiu novamente colocar 300 milhões de euros em obrigações a 3 meses a uma taxa de juro negativa.

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Por 21 de Outubro de 2015

.: Bazuca italiana
.: Pressões externas
.: Emigração do seu dinheiro
.: Brisa suave
.: Há buracos ao longo do caminho

00:19 - Bazuca italiana

A bazuca de Mario Draghi continua a destruir as taxas de juro portuguesas de curto-prazo.

Portugal conseguiu novamente colocar 300 milhões de euros em obrigações a 3 meses a uma taxa de juro negativa.

Isto significa que o IGCP recebe dinheiro por pedir emprestado. Como os tempos mudaram.

Nas obrigações a 11 meses, o estado português conseguiu financiar-se a uma taxa de 0.006% o que compara com uma taxa de 0.021% obtida no último leilão.

Na Alemanha há muito que as obrigações com mais de 2 anos negoceiam a taxas negativas.

Por este caminho Portugal vai chegar lá bem depressa.

01:15 - Pressões externas

A Comissão Europeia está a perder a paciência com o Governo Português.

O Sr. Dombrovskis, vice-presidente responsável pelo Euro, recordou que “é suposto todos os Estados-membros apresentarem os seus planos orçamentais até 15 de Outubro, e Portugal não foi o primeiro país a ter eleições”.

De um lado, Passos Coelhos defende que não faz sentido apresentar qualquer orçamento no atual cenário político português.

Por outro, as autoridades europeias ameaçam: “Não está excluída a possibilidade de actuarmos”.

Cavaco Silva faz contas de cabeça e o povo não sabe com o que pode contar para o próximo ano.

02:37 - Emigração do seu dinheiro

É um tema que temos falado recorrentemente aqui na Empiricus.

Mas sou obrigado a perguntar. Já começou a olhar com mais atenção para o mercado de ações europeu?

Para justificar o que tenho dito. Observe-se as cotações dos vários índices.

DAX, alemão, sobe 1%. CAC, francês, sobe 0.9%. IBEX, espanhol, sobe 0.8%. PSI20, português, cai 0.4%.

Como assim é o único que cai?

A correlação entre os principais índices europeus e o nosso benchmark há muito que foi perdida.

Também está na hora de descorrelacionar o seu ordenado com os seus ativos financeiros.

03:41 - Brisa suave

Os futuros Norte-americanos ajudam a subir os índices europeus de volta a terreno positivo depois das quedas do dia anterior.

Suportado por um ambiente de taxas de juro baixas e uma earning season melhor que o estimada o apetite pelo risco voltou em suavemente neste Outono.

Os investidores estão a pôr de lado as preocupações relativas ao crescimento global, com os últimos dados das exportações japonesas a confirmaram mais uma vez a diminuição no consumo chinês.

04:17 - Há buracos ao longo do caminho

Hoje olhamos para o mega investidor Warren Buffet.

Ele é conhecido por adorar blue chip companies que são fáceis de compreender e foge das hip & trendy tecnológicas com o Facebook, Amazon ou Netflix.

Se olharmos para as maiores posições da Berkshire reparamos que, praticamente todas, estão no vermelho este ano.

A IBM está negativa em 12% desde o início do ano. O investimento no setor bancário também não está melhor.

A Coca-Cola uma das posições preferidas do multimilionário está a zero este ano. O que compara muito mal com a melhor performance da Pepsi ou da Dr. Pepper.

E ainda nem chegámos ao pior. As posições em Proctor&Gamble, American Express e Wal-Mart já desvalorizaram mais de 15%. E no caso do gigante do retalho o prejuízo já é de 30%.

Agora se perguntarem ao sr. Buffet se ele está preocupado?

A resposta é fácil. Não. Um mau ano todos temos. No longo-prazo é que se sabe quem são os vencedores.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.