Toca a acordar

Depois da bonança, vem a tempestade. Não deveria ser ao contrário? Aqui na Empiricus, as atenções afastam-se de Paris e focam-se um pouco mais a Nordeste… em Bruxelas.

Maior Menor
Por 13 de Julho de 2016

.: A tempestade perfeita
.: Reunião à porta fechada
.: À espera de um milagre
.: Atitude diferente
.: Importa saber

00:09 - A tempestade perfeita

Depois da bonança, vem a tempestade. Não deveria ser ao contrário?

Aqui na Empiricus, as atenções afastam-se de Paris e focam-se um pouco mais a Nordeste… em Bruxelas.

O Eurogrupo (leia-se, grupinho dos ministros das finanças da zona Euro) abriu oficialmente o procedimento que pode resultar na aplicação de uma multa até 360 milhões de euros a Portugal.

No documento, a culpa é do Orçamento de 2015.

Na retórica, o pecado está no Desorçamento de 2016.

01:22 - Reunião à porta fechada

Se há, por um lado, motivos para multar Portugal por não cumprir as metas orçamentais de 2015… por outro, nunca nenhum outro país foi castigado por causa disso (e existem vários com cadastro de incumprimento)…

Podemos concluir, então, que o problema não é a transgressão em si… mas sim, a falta de vontade política para mudar o que quer que seja…

Veja bem, no discurso do Vice da Comissão Europeia, o Sr. Dombrovskis, admitiu que pode vir aí uma sanção zero – uma espécie de pena suspensa.

É claro que não seria “de borla”…

Se acreditar no discurso, a Comissão “precisa ver em que consistem os pedidos fundamentados” de Portugal e “o que é que os estados membros destacam e que compromissos assumem”.

Por outras palavras, se forem apresentadas medidas extraordinárias, Bruxelas ficará saciada.

Parece simples, certo?

02:01 - À espera de um milagre

Acontece que o Governo (nesta fase) vai optar por empurrar com a barriga.

Envolvidos num colete de forças, a gerigonça e os seus mecanismos de auto-preservação não oferecem grande veleidade à dupla Costa e Centeno.

Talvez por isso, juntam-se todas as noites em São Bento para os ensaios – tal qual uma cassete riscada – repetem dia após dia sempre a mesma ladainha…

“A execução de Maio e os números que já conhecemos de junho mostram que estamos na boa rota”, sem necessidade de “planos B nem medidas adicionais”…

Com efeito, já explicamos aqui porque é que esses números são enganadores (e não ludibriam a Comissão)…

Ou seja, o executivo vai continuar a “reivindicar os resultados” este ano e “reforçar os compromissos”. O que na prática, não quer dizer nada…

O tal plano B vai surgir no Orçamento do próximo ano.

M5M130716_1

03:04 - Atitude diferente

Curiosamente, o outro país visado na novela das sanções, está a optar por um trilho diferente…

Aqui, Centeno assobia para o lado.

Em Espanha, o ministro das finanças, Luís de Guindos, vai apresentar uma “moeda de troca”: uma subida do Imposto para as empresas.

A medida é altamente discutível, já que são as empresas que geram emprego…

Mas será provavelmente a única que conseguirá aprovar no parlamento e que permitirá a Espanha evitar as sanções…

04:10 - Importa saber

Como Portugal é oficialmente o tema deste M5M…

Vou aproveitar para comentar mais duas notícias que saíram esta semana:

Primeiro, o Barclays Bank veio juntar-se a Schäuble e concluiu que Portugal dificilmente evitará um novo resgate…

Mesmo que equivocados (discutível), imagine o que um relatório destes faz ao investimento estrangeiro (existente e potencial) em Portugal…

Segundo, uma pequena nota para os números das exportações que caíram 2,3%, e as importações caíram 2,6% no trimestre que terminou em Maio.

Não vamos lá com QE do BCE, nem com o petróleo abaixo dos 50 dólares…

Ainda há alguém que acredita que a estratégia socialista para a economia – sustentada no consumo interno – vai ter sucesso?

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.