Tudo o que precisa saber

O paciente (leia-se, as contas públicas) está na mesa de operações e o médico corre o risco de ser substituído a meio da intervenção cirúrgica… É preciso soletrar C-O-L-A-P-S-O?

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Por 13 de Fevereiro de 2017

.: É para cima, meu caro
.: O mundo fascinante da bolsa
.: Para sua reflexão
.: Confissões de um mentiroso político
.: Existencialismo

00:10 - É para cima, meu caro

Mais uma sessão com aquele semblante encantador de 2017.

é-para-cima

Praticamente todos os índices abrem o dia no verde.

Dow Jones caprichosamente acima da marca histórica dos 20.000 pontos, S&P 500 a norte dos 2300 e DAX com a mira apontada a novos máximos (à distância de 6% de valorização).

Na dúvida, investidores fecham os olhos e compram mercado…

Para isso, bastou Trump anunciar que terá novidades em relação ao novo pacote fiscal nas próximas semanas para que o smart money fosse às comprinhas…

Antevejo a criação de novos fundos temáticos: tweet-driven.

01:02 - O mundo fascinante da bolsa

A dinâmica da bolsa de valores é mesmo deslumbrante.

Como fenómeno de massas, não guarda referência com outra classe de ativos.

Estamos a falar de um lugar onde o piscar das cotações ao segundo incute no investidor a ideia que pode ganhar dinheiro em pouquíssimo tempo…

Já falámos aqui sobre o tema – que é possível multiplicar património – mas sempre apontando a um horizonte mais longo.

Porém, não é fácil fazê-lo.

Todos os dias a sua paciência será testada. Cada mês, semana ou dia é uma nova ocasião para avaliar os seus investimentos.

Esta é a minha melhor carteira hoje? Essa é a questão.

Ganhos ou prejuízos passados estão… no passado.

02:06 - Para sua reflexão

Barber e Odean estudaram o comportamento de milhares de investidores particulares.

Na sua investigação, os investigadores da faculdade de Berkeley mostraram por A mais B que o apego ao passado impele as pessoas a tomarem decisões financeiras ruinosas e irracionais.

Identificaram um procedimento especialmente pernicioso: em média, as pessoas realizam os lucros muito cedo e perdem boa parte da valorização de um ativo.

Em contrapartida, conservam por mais tempo do que deveriam posições perdedoras.

Temos uma tendência de resistir à realização de um prejuízo.

Se determinada ação não é a melhor que pode ter, não fique preso a ela!

Incorpore o seu prejuízo e parta para outra. Ganhar 30% com uma nova ação é rigorosamente a mesma coisa do que recuperar 30% na ação antiga.

 

 

03:09 - Confissões de um mentiroso político

Confesso: é duro acompanhar o noticiário político nos últimos dias.

Entre o encolher de ombros e as desculpas esfarrapadas, Mário Centeno está cada vez mais emaranhado numa crise política…

De bom, o ministro das Finanças escolheu uma equipa profissional para gerir a CGD. O problema começou quando tentou isentar a “nova ex-administração” dos seus deveres pela porta do cavalo…

Posteriormente, como não conseguiu respeitar o prometido, decidiu ocultar o acordo.

Facto é, tanto ruído à volta deste tema retira o foco do que é essencial.

Portugal está numa posição desconfortável – os juros da dívida pública provam isso mesmo – e o principal ministro da Geringonça está preso por um fio.

Ou seja, o paciente (leia-se, as contas públicas) está na mesa de operações e o médico corre o risco de ser substituído a meio da intervenção cirúrgica…

É preciso soletrar C-O-L-A-P-S-O?

04:00 - Existencialismo

A teoria económica cumpre uma função positiva (como as coisas são) ou normativa (como as coisas deveriam ser)?

Obviamente, cumpre ambas as funções.

Mas a maior parte dos economistas tem a mania que o normativo é positivo. Ou seja, as coisas são como deveriam ser ou são como EU ACHO que deveriam ser.

Com isso, muitos analistas geram recomendações danosas para os seus clientes. E depois corrigem: não fui eu que errei, foi o mercado que foi contra mim!

Só que foram os clientes que perderam o seu dinheiro.

Aqui na Empiricus, temos completa aversão a esse vício. A nossa Carta Empiricus está fundamentalmente preocupada em saber como as coisas são.

Se erramos, somos nós que erramos.

Se acertamos, os nossos clientes ganham dinheiro.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.