Uma nova bolsa em Portugal

Com a responsabilidade de cobrir o mercado acionista europeu em busca de boas oportunidades para os nossos leitores, começo sempre o dia com a minha rotina normal, a de passar os olhos pelo PSI20.

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19 de Janeiro de 2017

.: PSI20, 18, ...
.: Empreendedorismo português
.: Novas caras
.: O jogo do défice
.: Jogo perigoso

00:02 - PSI20, 18, ...

Hoje tomo o lugar do Renato para escrever o Mercado em 5 Minutos.

Para quem não me conhece, sou o responsável pela nova newsletter “Caçador de Valor”, iniciada esta terça. Se ainda não viu, aqui poderá encontrar o link.

Com a responsabilidade de cobrir o mercado acionista europeu em busca de boas oportunidades para os nossos leitores, começo sempre o dia com a minha rotina normal, a de passar os olhos pelo PSI20.

A sessão segue com uma queda de 0,8%, em concordância com o resto da Europa, à espera de novidades do encontro dos governadores do BCE.

Quando procuro fatores revelantes do dia para as empresas deparo-me sistematicamente com a mesma situação: as empresas são sempre as mesmas.

Os cabeçalhos dos principais jornais, também.

GALP, EDP, J. Martins, EDP renováveis, NOS, BCP, Navigator, Sonae, BPI, REN….

Mas afinal, não há outras empresas?

00:57 - Empreendedorismo português

Há sim. Há boas empresas na bolsa portuguesa. Mas desde 2009 que várias grandes empresas faliram, deixaram de existir, e outras, boas ou más, deixaram de ser listadas…

Veja lá que semana emblemática: enquanto o BCP encaixa mais um aumento de capital (4 em 5 anos), a desafiar a confiança dos investidores, o BPI fecha o seu capital numa OPA quase ao mesmo preço que estreou na bolsa… há 30 anos.

O PSI20, que originalmente deveria ter 20 ações, hoje conta apenas com 18.

A maioria das empresas que existem atualmente estão no máximo da sua expansão, em mercados saturados, mostram pouca inovação e por isso são muito dependentes do consumo.

Parece-me que estas empresas dependem mais do crescimento do PIB do que fazem crescer o PIB.

Nos dias de hoje fala-se tanto do empreendedorismo, mas sem novas empresas a entrar na bolsa…

O empreendedorismo à portuguesa era conhecido pelo restaurante no rés-do-chão e casa no primeiro andar…

Parece-me que neste novo mundo das startups o conceito não varia muito.

01:46 - Novas caras

Por que não pensar mais à frente e angariar capital por via da bolsa?

Lá por vivermos num país pequeno não quer dizer que tenhamos de ter uma visão pequena.

O argumento comum é que os custos para entrar na bolsa são demasiado elevados e que apenas as empresas de grande dimensão o conseguem fazer.

Isto é verdade, mas é verdade em todos os outros países também.

Mas como em tudo na vida, também há alternativas: a Alternext, uma bolsa de acesso criada pela Euronext, aceita empresas cotadas com capital a partir de €2,5 milhões e apresenta custos significativamente mais baixos.

Desde que foi criada, mais 190 empresas já lançaram suas ações, em Paris, Bruxelas, Amsterdão e Lisboa.

Existem várias empresas no PSI 20 com menos de €500 milhões de capital em bolsa. Entre os €2,5 milhões e os €500 milhões quantas empresas em Portugal, jovens e bem geridas, não poderiam abrir o capital em bolsa?

Há um mês, a Patris Investimentos entrou em bolsa por esta via. Sinais de novos tempos? Vamos canalizar toda essa euforia sobre startups também para isso?

Como um entusiasta do mercado, gostaria de ver novas caras por aqui. Tenho a convicção que com uma carteira de 10 microcaps podemos gerar altíssimos retornos (mesmo que algumas vão à falência ao longo do caminho).

02:32 - O jogo do défice

Ao que parece o défice de 2016 será mesmo de 2,3%, diz o governo.

Atingirá a meta a que se comprometeu com algum (ou muito) lixo debaixo do tapete.

O mais curioso é comemorarem. Imagine o seguinte: a equipa está na zona de despromoção e faltam poucas jornadas para acabar o campeonato. Vai jogar fora, contra o líder e no apito final do árbitro dão pulos de alegria por terem perdido por apenas dois a zero.

O António Costa parece que não conhece o conceito de Kitchen Sinking

Quando um novo e revolucionário CEO entra numa empresa lança tudo o que de mau existe, possa a vir a existir ou se imagina que exista, nos primeiros resultados.

Depois de apresentados os piores resultados de sempre, culpa o antecessor pelo péssimo resultado.

Depois de a casa ter sido limpa às custas do antecessor é sempre mais fácil apresentar resultados positivos daí para a frente.

Já se passou mais de um ano de governação e daqui para a frente este argumento deixa de ser válido.

A capitalização da Caixa já este ano de €900 milhões passava o défice para cerca de 3,2%.

Não cumpriam o objetivo a que se tinha comprometido, mas teriam a casa limpa.

04:01 - Jogo perigoso

Ao não incorporar o aumento de capital da CGD, o governo está a jogar um jogo muito perigoso.

Basicamente, estão a rezar para que a economia se comporte pelo menos como este ano para se safarem abaixo dos 3% no défice de 2017.

Coincidência ou não, o Papa vem este ano a Portugal.

No entanto, cisnes negros por vezes parecem-se mais como os cogumelos. Em vez de serem eventos raros aparecem por todo o lado.

E se uma China colapsa? E se as políticas do Trump reduzem o crescimento económico? E se o populismo no norte da Europa vence para não emprestar mais dinheiro ao sul?

Aí reza…

Como já sabemos, o governo vai sempre argumentar que este tipo de eventos são fora da sua esfera de controlo e que não são possíveis de prever.

Como qualquer homem prevenido que sai de casa sempre com o chapéu de chuva quando está nublado, é melhor preparar-se pois a fatura vai cair sempre no mesmo.