Vale a pena comprar a TVI?

Por aqui, as atenções estão voltadas para a compra de produção de conteúdos por parte das telecoms. Onde é que eu já vi esta história antes?

Maior Menor
Por 27 de Junho de 2017

.: Época de previsões
.: Serra de Sintra
.: Mais do mesmo
.: A solução para todos os males
.: Não vai ficar por aqui

00:12 - Época de previsões

Está aberta a temporada de previsões para o segundo semestre do PSI20.
Vale uma aposta?

Respiramos fundo e respondemos: não fazemos ideia!
Não fazemos previsões, nem sentimos necessidade de as fazer.

Ironicamente, quando as coisas acontecem, há quem pense que somos bons a antecipar o futuro.
Então prevemos que as previsões estão erradas — e não vale dizer que é 10 por cento acima ou abaixo do nível atual — e que a maioria não estará adequadamente preparada para isso.

Preparemo-nos nós então. Essa é a essência da Empiricus.

01:30 - Serra de Sintra

Bolsas europeias em baixa, reverberando os comentários de Draghi feitos no fórum do BCE em Sintra.

O líder da autoridade monetária observa um crescimento acima da tendência e bem distribuído por toda a área do Euro, mas reiterou que “um grau considerável de estímulos ainda é necessário e que o BCE deve ser prudente”…

Blá, blá, blá…

“Pedro, o que é que isso quer dizer?”

Muito francamente? A economia está a acelerar e logo, logo, o BCE terá de retirar os estímulos.

Nada que já não tenhamos falado aqui no M5M.

Claro que no curto prazo o mercado fica com calafrios uma vez que vai ter de largar a morfina monetária. Em contrapartida, é um sinal positivo que entalha uma oportunidade histórica de multiplicação de património.

02:03 - Mais do mesmo

Por aqui, as atenções estão voltadas para a compra de produção de conteúdos por parte das telecoms.

Onde é que eu já vi esta história antes?

A confirmação de que a Altice tem interesse na compra da Media Capital (dona da TVI) voltou a agitar com a pequena bolsa portuguesa. Que fase, hein?

As ações da Media Capital estão em máximos dos últimos 5 anos

Por arrasto, há quem admita que a NOS terá de responder à investida da Altice e que a Impresa (dona da SIC) possa ser um alvo.

A especulação é autoexplicativa

A narrativa já tem barbas: as operadoras precisam de ampliar as suas ofertas de produtos porque a venda de internet já não é o negócio de alto crescimento que costumava ser.

Encontrar novos clientes num mercado com uma penetração acima dos 100% tornou-se mais difícil para as operadoras e a concorrência é apertada.

Restam duas opções:

– Hipótese 1: os gestores aceitam que administram uma cash cow aborrecida;
– Hipótese 2: tentam a todo o custo entrar em negócios onde não têm uma vantagem competitiva para justificar o ordenado milionário que recebem.

Qual é que acha que eles escolhem?

03:22 - A solução para todos os males

Uma solução comum para todos estes problemas – normalmente aventada por bancos de investimento “completamente” esterilizados de conflitos de interesse que, curiosamente, fazem fortunas com estes negócios – é diversificar, para obter melhores economias de escala através de fusões e aquisições.

Historicamente, estes negócios têm sido uma autêntica máquina trituradora de valor.

Quem compra paga um prémio injustificado por um negócio do qual não percebe.

A palavra mágica aqui é SINERGIAS… que depois nunca aparecem. Basta olhar para os negócios feitos nos últimos anos dentro do setor nos EUA.

Entretanto, os investidores, se quiserem, podem fazer eles próprios a sua diversificação com um custo muito mais baixo.

04:07 - Não vai ficar por aqui

A tendência das grandes empresas de telecomunicações comprarem empresas de media pelo seu conteúdo provavelmente continuará, ou mesmo acelerará.

Não tenho dúvidas disso.

Suspeito é que não será feito em prol do valor gerado.

Parece-me um clássico exemplo de agency problems e empire building.

Se mesmo assim quiser surfar esta consolidação, evite as telecoms e aumente a sua exposição às empresas de media.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.