Velho contra o Novo Mundo
Juros baixos são para continuar? Então no risco é onde eu quero estar: tudo para o mercado acionista!
.: Flight to risk
.: Desmistificar
.: Trade Zona Euro vs. EUA
.: Linhas cruzadas
.: Porque será?
00:11 - Flight to risk
Juros baixos são para continuar?
Então no risco é onde eu quero estar: tudo para o mercado acionista!
S&P fechou nos 2.040 pts…
O ALL-TIME HIGH fica já ali nos 2.134 pts.
Quando no início do ano os índices despencaram foram os norte-americanos que caíram menos…
Agora são os primeiros a recuperar…
Dá que pensar, não?
01:23 - Desmistificar
O velho mito de que o que caiu muito é o que vai subir mais é igual a conversa de treinador de bancada…
Muita retórica… poucos (ou nenhuns) resultados práticos…
O ideal mesmo é estar naquelas empresas chatas, que têm pouca volatilidade…
Não sobem muito, mas também não caem muito…
E no final do ano têm sempre aquela performance certinha.
Eu sei? Nesse ano houve várias ações que subiram acima dos 30%, 40%, 90%…
Tentar acertar nessas vai levá-lo a investir nas empresas que caem com a mesma facilidade que sobem…
Prefira aquelas que mesmo subindo pouco, fazem-no consistentemente.
02:01 - Trade Zona Euro vs. EUA
Eu ando nos mercados há algum tempo e fala-se do fecho do spread de performance entre os índices americanos e os europeus…
Bem… desde que este abriu…
Para perceber o racional, coloquei aqui o gráfico dos índices que agregam as 30 maiores empresas americanas (Dow Jones) e as 50 maiores da zona Euro (Eurostoxx 50):

Fonte:Reuters
De forma muito simples: quem investiu $10.000 há 10 anos atrás no Dow tem hoje $15.498, quem escolheu investiu €10.000 na zona Euro está com €7.860 na carteira.
Uma diferença abismal!!! No câmbio também teria ganho. EUR/USD foi de $1,20 para os atuais $1,125 na última década.Pois é, a divergência começou em meados de 2009… até aí, os dois índices eram inseparáveis…
O momento da rutura acontece no pós-crise financeira de 2008.
Norte-americanos baixaram as taxas e implementaram o Quantitative Easing nesse mesmo ano.
Na Eurozone os decisores empurraram os problemas com a barriga e o QE só começou em Março do ano passado (2015).
Ao fazer ao mesmo tempo que o Reino Unido e Japão o fazem e países com Suiça, Suécia oferecem juros negativos é óbvio que os resultados são menores.
A performance dos índices traduz (em parte) a diferente abordagem que os bancos centrais utilizaram.
03:12 - Linhas cruzadas
O investment case de aproximação da linha rouxa (Zona Euro) à amarela (EUA) é alvitrado desde a mesma altura da separação.
O racional é simples: se sempre andaram juntos e agora estão tão longe um do outro, não deveria haver uma convergência?
E como se observa, no gráfico, quem apostou nisso… errou feio.
Este ano não foi exceção. Mais até porque desta vez, tínhamos Super-Mario.
3 meses dentro do ano e os estrategas já estão a mudar a bússola outra vez…
O target para o final do ano apontava uma subida, em média, de 12% para o índice da zona euro.
Atualmente, os analistas estimam uma subida de 1%…
04:08 - Porque será?
A “grande justificação” é a tensão política na região.
O abrandamento das políticas de consolidação das contas públicas e os progressos limitados em termos de reformas estruturais.
Criam riscos de longo prazo.
A juntar a isto tudo existe o fraco crescimento (cerca 1,5% em 2016) e os riscos deflacionários, com impactos concretos nos resultados das empresas.
E como temos vindo a falar aqui no M5M:
Soma-se a isto o ceticismo em termos do impacto do QE impulsionar a economia.
Mesmo que funcione – e ainda tem de provar isso – o efeito só será sentido lá mais para a frente.
Bottom line: reserve sempre uma parte do seu património para investir em dólares (via ações e/ou obrigações).
Pedro Gonçalves, Editor-chefe
Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.
Ler todos os artigos