Visão simplista

Quanto mais receosos os investidores estão, mais dinheiro é entornado para estes ativos menos arriscados (ou seguros). O inverso também é normal.

Maior Menor
Por 9 de Fevereiro de 2016

.: Valor do dinheiro
.: Aversão ao risco
.: Comportamento da dívida
.: Dias de hoje
.: Tradução monetária

00:03 - Valor do dinheiro

Alguma vez emprestaria dinheiro a uma pessoa em que é você que tem de pagar os juros?

Como assim?

Sim. Pega no seu dinheiro. Suponhamos 10.000 euros e empresta a um amigo seu.

Em troca, em vez de receber uma taxa de juro.

Tem de pagar 500 euros.

Parece-lhe uma situação normal?

01:03 - Aversão ao risco

Com certeza que não!

Agora imagine que o mundo é um sítio perigoso e esse amigo é de entre todos os que conhece o que pode guardar melhor o seu dinheiro.

Ou melhor, se calhar até está disposto a pagar só para ter a garantia que tem o seu dinheiro bem guardado….

Já faz algum sentido?

Nos dias de hoje, o seu amigo são as bunds alemãs (obrigações do tesouro germânico).

Apesar das taxas negativas (você paga juro em vez de receber), os investidores continuam a preferir emprestar dinheiro ao governo alemão do que investir no mercado acionista… (leiam-se as quedas dos últimos dias).

DAX

Performance do DAX no último ano

02:02 - Comportamento da dívida

De uma forma geral, existe uma relação muito forte (normalmente inversa) entre ativos de risco e ativos seguros (safe haven).

Quanto mais receosos os investidores estão, mais dinheiro é entornado para estes ativos menos arriscados (ou seguros).

O inverso também é normal.

Ou seja, quanto mais apetite a risco se quer tomar, menos interesse existe por segurança. Estou a fazer sentido?

Se está confiante não vai “investir” num ativo com pouco risco (e pouco retorno). Vai preferir ativos com maior potencial de valorização, por exemplo as ações.

 

03:02 - Dias de hoje

Nem sempre é fácil identificar esta relação…

Até porque esta explicação é muito simplista e existem várias outras componentes que impactam o mercado de dívida e o mercado acionista, mas em momentos de grande tensão, como agora, é muito fácil observar a relação entre os dois.

Veja-se por exemplo o gráfico da taxa das obrigações alemãs a 5 anos.

germany 5 years

No início do ano, o senhor Klaus já pedia emprestado e recebia por isso (sensivelmente -0,1%). À medida que o sentimento do investidor se tornou cada vez mais negativo, fruto das incertezas do hard landing chinês e crescimento dos emergentes, petróleo e, mais recentemente, banca europeia:

– as taxas afundaram ainda mais (-0,30%), ou seja, os investidores estão dispostos a pagar cada vez mais para emprestarem dinheiro à Alemanha. Estranho? Já vimos que não…

– Entretanto, os mercados acionistas tiveram o pior inico de ano de sempre. O DAX perde 16%, a China perde mais de 20% e nos EUA as bolsas resvalam 10%…

O tal medo de ativos de risco a funcionar a favor dos ativos “seguros”…

04:21 - Tradução monetária

Nas moedas, o fenómeno é similar.

Quanto mais receosos os investidores estão, mais dinheiro sai dos ativos arriscados (ações, obrigações e fundos) denominados em moedas fracas (por exemplo, os países emergentes) e volta a ser reinvestido na Europa.

Outra vez, em obrigações.

Esta transferência de dinheiro de lá para cá, leva o euro a valorizar-se em períodos de grande stress.

A juntar a isso, ainda existe o tema da política monetária dos bancos centrais, mas não quero entrar por aí.

A realidade é que a fuga de capitais de economias emergentes, obriga (na falta de alternativas) o investidor que tem por exemplo rublos russos, a comprar euros.

Se o pânico se generaliza. O euro dispara em relação ao rublo.

Veja-se a título de exemplo a variação do EUR/RUB nos últimos meses…

eurrub

 

A mesma análise pode ser feita relativamente a outras “moedas emergentes”…

 

Links Recomendados:

 

Siga-nos no Twitter & Facebook

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.