Vota mais quem tem dinheiro

A lição a retirar é que se estamos dependentes de dados económicos, vão sempre surgir números de que não gostamos. O mercado há muito que percebeu isso.

Maior Menor
Por 7 de Junho de 2016

.: Tem pai que é cego
.: Números que não agradam
.: Volatilidade amiga
.: Sondagens
.: Ideia alternativa

00:10 - Tem pai que é cego

Lá vai a subida de taxas de juro para o armário.

Junho está fora de questão. Julho pode ficar muito em breve…

Há quem ache que Setembro já não é uma opção…

Dra. Yellen deixou, “mais ou menos” claro, que os números do emprego e os riscos internacionais continuam a tirar-lhe o sono.

Até lá, não deve arriscar uma subida do juro básico norte-americano.

Voltamos à estaca zero.

M5M070616

01:23 - Números que não agradam

A lição a retirar é que se estamos dependentes de dados económicos, vão sempre surgir números de que não gostamos.

O mercado há muito que percebeu isso.

Se os dados económicos estão fortes, as bolsas afundam e pressionam o banco central a adiar decisões.

Se as bolsas estão perto de máximos, os dados vêm confirmar que a economia real não está assim tão bem.

Entretanto, o processo de normalização (retirar os juros do zero), tornou-se tudo menos normal.

02:12 - Volatilidade amiga

Quem adora esta fantochada são as próprias bolsas…

Quando se falou na eventual subida da taxa de juros em junho, estas tombaram.

Depois destes comentários medrosos da presidente da Fed, dispararam.

Será sustentável?

Claro que não.

Mas se eu tivesse no negócio das comissões estaria com um sorriso nos lábios.

03:12 - Sondagens

Para gerar mais volatilidade chegam-nos notícias de mais duas sondagens que dão a vitória do Brexit.

Pois é, parece que os britânicos querem (aparentemente) saltar fora da UE.

Os números agora revelados sugerem que a saída do Reino Unido da União Europeia está a ganhar momentum…

Mas será mesmo assim?

04:09 - Ideia alternativa

Nos mercados financeiros, é sabido que quando a maioria está pessimista é nesse momento que as bolsas tendem a subir…

Isto porque os desesperados já venderam e o mercado não pode cair sem vendedores.

Simples? Not so fast…

Os investidores não se reúnem todos na fila da mesma maneira. Os mais ricos são mais importantes (têm mais votos).

Nesse sentido, os mercados financeiros não são uma democracia. Aqueles com mais dinheiro têm mais poder…

Isto pode ser uma explicação para o facto de as sondagens (que refletem a democracia) serem uma métrica falível na direção do mercado.

Acho, no entanto, que pode funcionar melhor ao contrário:

A performance do mercado tende a prever eventos reais com mais acerto que as pesquisas.

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.