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Outubro de 2015

As Grandes Oportunidades de 2016

O que realmente interessa sobre a Europa

Por Pedro Gonçalves, Editor-chefe Lisboa, Portugal

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Este é um relatório menos técnico do que o habitual do mercado. Fala de ideias. Transmite basicamente as nossas principais convicções de investimento para 2016, de forma simples e direta, num tom de conversa. Como se pudéssemos, quase sem filtro, fazer com que os leitores entrem nas nossas cabeças.

São quatro temas devidamente escolhidos. Poderiam ser cinco ou seis. Nenhuma predileção específica pelo número – selecionei apenas aquelas em que tenho maior convicção. O objetivo mais importante é a proteção do seu património num ano para o qual temos um prognóstico bastante desafiante.

Neste momento, vamos assumir que o leitor passou ao lado dos últimos acontecimentos no panorama macroeconómico.

Depois de três anos de Programa de Assistência Económica e Financeira, a economia portuguesa foi finalmente capaz de corrigir alguns desequilíbrios macroeconómicos, tais como a capacidade de acesso a financiamento externo, o reequilíbrio das contas públicas e a transferência de recursos do setor de bens não-transacionáveis para um de bens transacionáveis. Apesar disso, as severas medidas de austeridade provocaram uma destruição maciça de postos de trabalho, o que originou uma taxa de desemprego elevada e um grave problema de desemprego de longa duração, aliado à deterioração das condições sociais da população e aumento da dívida pública (120% do PIB em 2015).

A perspetiva para 2016 reúne um carry over (quanto de 2015 condiciona 2016) positivo. Na nossa opinião o pior já passou. Os riscos internos são velhos conhecidos: efeitos nocivos dos ajustes fiscais (aumento dos impostos e corte de gastos) e a possível crise política.

No palco internacional, o BCE iniciou o programa de Quantitive Easing (impressão de moeda) em março de 2015, e deu indicações que está a estudar a hipótese de avançar com mais medidas de estímulo. Desde o início do programa de compra de ativos o BCE já comprou 9 mil milhões de euros em dívida portuguesa. Os juros caíram de mais de 10% em 2012, para os atuais 2,5%.

Juros da dívida pública portuguesa a 10 anos

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Fonte: Bloomberg

 

Nos EUA o cenário é o inverso, depois de um período de expansão monetária (com três programas de QE), a política agora é de contração monetária. Os programas “não convencionais” terminaram a 29 de outubro de 2014 com compras acumuladas de ativos de $4,5 triliões, e desde essa data que uma subida das taxas de juro está em cima da mesa.

Este é o quadro económico que nos levou a escolher as recomendações abaixo, que partem do mais simples para as questões mais sofisticadas – não pretendo convencer o leitor a seguir cada uma das quatro ideias. Há diferentes perfis de investimento, que podem se identificar com ideias distintas. O meu objetivo com este texto é de que o conhecimento de pelo menos um dos itens, seja ele qual for, já coloque o investidor numa posição melhor.

 

Euro/Dólar

Há uma coisa, em particular, que eu gostaria de explicar ao leitor: a divergência da política monetária (EUA vs. zona Euro) vai ser um dos principais temas de 2016.

Se o leitor compreende que deve diversificar o seu risco pelas várias classes de ativos existentes (ações, obrigações, imóveis, etc..), a lógica sugere também a necessidade de diversificar no âmbito de geografias.

A interdependência global significa que os países dependem cada vez mais uns dos outros para o seu próprio desenvolvimento e crescimento. Mas mesmo assim, a evolução dos mercados bolsistas está cada vez mais sem relação. Por exemplo, um investimento há 5 anos atrás no S&P500 estaria com uma mais-valia de 72,5% e um investimento no Eurostoxx 50 daria um ganho de cerca de 20%, nas moedas locais (imagem em baixo).

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Fonte: Bloomberg

 

Não só por isso, mas por razões fundamentais é importante observar o comportamento da moeda norte-americana como indicador da saúde da economia global.

Primeiramente, por uma razão trivial: a força da atividade económica norte-americana – uma ilha de recuperação vigorosa entre os países desenvolvidos.

Segundo, a diferença de política monetária entre os EUA (restritiva) e europeia (expansionista) abre um prognóstico de apreciação da moeda norte-americana contra as principais moedas globais. No entanto, é importante referir que vários analistas acreditam que esta gestão de expetativas (foward-guidance), onde os representantes da FED ameaçam um aumento das taxas de juro, mas nunca a fazem, pode ser pólvora seca. A ideia é manipular o desempenho do mercado sem nunca intervir diretamente no mesmo. A realidade é que ninguém na América do Norte deseja o EUR/USD abaixo da paridade.

Mas se a alta das taxas norte-americanas acontecer, ao mesmo tempo que os outros bancos centrais expandem a sua massa monetária, o racional económico deve-se traduzir na apreciação do dólar face às restantes divisas.

 

Taxas de juro

Depois das medidas implementadas pelo Banco Central Europeu, os juros estão em mínimos históricos, a taxa média oferecida nos depósitos bancários até um ano está nos 0.65%. Os juros das obrigações ou dos produtos de poupança do Estado são ligeiramente melhores que os oferecidos pela banca. Mas tanto os certificados de aforro como os Certificados de Tesouro Poupa Mais (CTPM) baixaram a sua remuneração. Os primeiros com um retorno de 0.95% e os segundos com uma taxa média ao final de 5 anos de 2,25%.

Uma das soluções para o pequeno investidor rentabilizar a carteira é investir na dívida das empresas, mas também aqui a oferta é bastante escassa e as comissões de custódia e da própria transação podem absorver grande parte dos ganhos.

Se quer retirar de si o ónus de selecionar as melhores obrigações pode sempre aplicar o seu dinheiro num fundo de obrigações. Mas também aqui os desempenhos são divergentes. O melhor fundo da classe pode obter 8%, mas devido ao ambiente de baixas taxas de juro e yields negativa na dívida soberana os desempenhos médios têm vindo a piorar (em média 2%).

Os Seguros Plano Poupança Reforma (PPR) que no passado garantiam taxas até 5%, normalmente com capital e retorno garantido. No entanto, nos novos contratos as rendibilidades têm diminuído e, dada a conjuntura atual, tenderão a cair.

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Presidente do Banco Central Europeu: Mario Draghi

Imóveis

Comprar um imóvel é muito mais que escolher um local que possamos chamar de casa.

O investimento imobiliário tornou-se muito popular e um canal de investimento bastante comum. Apesar de haver grandes oportunidades para ganhos importantes, comprar e gerir um investimento imobiliário requer alguma paciência.

Há duas formas de obter rendimento de um investimento deste género.

A primeira e mais óbvia é a valorização do seu ativo. No fundo, o objetivo é comprar barato e vender caro.

Importa referir que Lisboa é a segunda capital Europeia onde o preço do m2 é mais barato.

O segundo é o arrendamento do seu imóvel. Por oposição ao preço, as rendas em Lisboa são em percentagem sobre o valor do imóvel das mais caras da Europa (6% do valor da habitação). Por exemplo, um investimento de 100 mil euros gera em média 6000€ em renda por ano.

Em Portugal, os preços dos imóveis continuam a mostrar sinais de recuperação.

Depois de vários meses de quedas sucessivas no preço do m2 em em território nacional (2010-2013), desde o 3º trimestre de 2013 que o valor das casas tem subido paulatinamente.

Em parte, este movimento tem sido suportado pelo interesse internacional.

Chineses, franceses, sul-africanos e brasileiros são os principais investidores no mercado português. Por exemplo, nos três primeiros trimestres do ano de 2015, uma em cada quatro transações envolveu entidades estrangeiras (pessoas singulares ou empresas).

O principal foco do investimento estrangeiro são os centros urbanos e as zonas turísticas.

No primeiro caso, a nova lei do arrendamento veio dinamizar a recuperação do centro das cidades.

Durante muito tempo, o congelamento das rendas limitou o investimento privado na reabilitação urbana.

Isso provocou a decadência de várias zonas das principais cidades (com especial destaque para Lisboa e Porto).

O turismo tem sido um dos principais fatores da valorização das habitações, já que a procura de casas para aluguer de curto-prazo tem sido um negócio muito rentável para quem tem imóvel nestas áreas.

Atualmente existem empresas especializadas em arrendamento de curto-prazo que lhe garantem um rendimento de 4% ao ano, o que comparado com as aplicações de renda fixa já é um retorno interessante (até porque, além disso, soma a esta rendibilidade a valorização do imóvel).

No entanto, estas empresas obtêm grandes proveitos com este negócio. Se tiver apetite por fazer a gestão do seu apartamento pode, como elas, obter rendibilidades de até 15%.

Nesse sentido, acreditamos que deve considerar o investimento imobiliário como uma das melhores opções para rentabilizar o seu dinheiro na atual conjuntura.

Imagem5Fonte: Instituto Nacional de Estatística

 

Ações

Não há volta a dar. Num ambiente de taxas de juro tão baixas, a forma como o BCE incentiva os bancos a injetarem liquidez na economia, tem como colateral a destruição da remuneração dos depósitos.

Esta situação limita as opções do aforrador, que quer rentabilizar o seu património, ao investimento em ações.

No entanto, se está a ponderar esta solução, saiba que não deve investir 100% do seu património e que não o deve fazer de uma só vez.

Defina uma percentagem com que se sente razoável: a literatura define os 20% como limite inferior para o investimento e um prazo mínimo de investimento de cinco anos.

Quanto maior for a percentagem alocada a este tipo de ativos, maior será o retorno, mas também será o risco de perda de capital.

Para aumentar o seu nível de certeza, sugiro que selecione no mínimo 4 ações e no máximo 10.

Se não quiser investir diretamente em ações uma boa opção são os ETF’s, veículos financeiros que replicam a performance dos principais índices e dessa forma dispersam o seu capital por várias empresas.

Em relação às expetativas, o mercado europeu reúne consenso entre os analistas como o mercado com mais potencial de subida.

A expectativa de que o BCE estenda o seu programa de estímulos além de setembro de 2016, associada à retoma económica na região, justifica a aposta em ações do Velho Continente.

A eventual desvalorização do Euro também será muito importante para impulsionar os resultados das empresas europeias.

À medida que o Euro desvaloriza as exportações europeias ganham de duas maneiras.

Primeiro, ficam mais competitivas para o consumidor externo.

Segundo, essas vendas quando são contabilizadas em Euros (como a moeda estrangeira valorizou-se) existe um ganho cambial.

Para compararmos os fundamentais entre os índices dos EUA e os da Europa utilizámos um múltiplo muito simples. O PER (preço a dividir pelo resultado por ação, significa que quanto maior o resultado menor é o indicador, e consequentemente mais resultado a empresa gera por euro investido).

Quando analisamos este múltiplo a diferença é favorável aos mercados europeus. Enquanto, deste lado do Atlântico, o Eurostoxx50 transaciona com um PER estimado de 13.4, o comparável norte-americano (Dow Jones Industrial) apresenta um múltiplo de 16.22.

 

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Fonte: STOXX, Ltd.

 

Por todas estas razões, acreditamos que é importante que as pessoas procurem informações de onde investir o seu património.

No Mercado em 5 Minutos vamos falar diariamente sobre todos estes temas, procurando explorá-los de forma a que consigamos ajudá-lo.

Não só a selecionar as melhores soluções de investimento, mas também a proteger o seu capital.

 

 

Pedro Gonçalves, Editor-chefe

Pedro Gonçalves foi Portfolio Manager no Millennium Investment Banking. É licenciado em Finanças pelo ISCTE – Business School e mestre em Gestão pela Universidade Católica Portuguesa. Atualmente, é editor-chefe da Empiricus Portugal.

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